
Numa realidade de funcionamento, provisoriamente periclitante, o Cine Brasília teve assegurado o regular funcionamento até o fim de julho de 2026. "Em caráter excepcional, o Cine Brasília recebeu autorização para utilizar recursos complementares provenientes de sua própria arrecadação (para viabilizar seu funcionamento)", registrou a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), em resposta à reportagem do Correio. De um total de seis parcelas de R$ 1 milhão (cada), para a operação do cinema — a com pagamento previsto para 23 de maio está em atraso —, enquanto a última deve ser paga até 23 de novembro. A autorização da Secec veio em caráter excepcional, e temporário, como medida preventiva para evitar qualquer descontinuidade nas atividades do setor.
A emissão da ordem bancária pela Secretaria de Economia para o repasse de montante (via Secretaria de Cultura) para a gestão do Cine Brasília — assegurando o funcionamento do cinema — está em curso. Segundo representantes da pasta da cultura, a Secec já emitiu a previsão de pagamento há um mês da parcela regular destinada ao Cine Brasília, em processo compartilhado junto à Organização da Sociedade Civil Box Cultural (correponsável pelo cinema, por três anos, desde maio de 2024). Até a regularização dos repasses governamentais, montantes de bilheteria da sala e recursos previstos para a aquisição de um projetor terão destino emergencial. A importância e eficiência dos trabalhos da OSC podem ser medidos por comparativos: de 59 mil espectadores pagantes (na sala), registrados em 2023; em 2025, houve um salto quantitativo: mais de 165 mil pagantes foram registrados.
Na mesma leva de novas informações da Secec, a pasta se pronunciou sobre o repasse à entidade responsável pela operacionalização do tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro que, entre 11 e 19 de setembro, chega à 59ª edição. "Foi solicitada a disponibilização da cota orçamentária (estimada em R$ 3 milhões) à Secretaria de Economia, visando a efetivação do repasse para a realização do evento", destacam os representantes da Secec.
Anunciada como grande novidade para o Festival de Cinema, a compra de um projetor laser, conjugado com o incremento do som Dolby (já operante na sala), no momento, foi postergada. "O projetor será adquirido por meio de um aditivo ao termo de colaboração com a Box Cultural, tão logo seja superado o período de contingenciamento orçamentário do GDF. A análise financeira necessária já foi concluída, restando apenas a liberação dos recursos para a efetivação da aquisição", registra a Secec.
No início desta semana, uma reunião do Conselho Consultivo do Cine Brasília tornou pública a situação calamitosa do cinema. Para além do descontentamento no protelar dos investimentos esperados, ficou patente que a falta de recursos havia afetado a folha de pagamento dos agentes integrados aos trabalhos da Box Cultural. O cenário era de possível dispensa de parte da equipe, e a insegurança do aviso prévio para funcionários. Com acompanhamento semanal da Secec, o Cine Brasília realiza atividades que envolvem trabalho de 43 colaboradores, aos quais se somam eventuais prestadores de serviços. Por mês, R$ 180 mil são gastos na folha, montante que se soma aos custos de manutenção regular de ar-condicionado, internet, bilheteria, dedetização, projetor, instalações prediais e "itens de consumo público".

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