Crítica

Excêntrica e impulsiva, icônica Sarah Bernhardt é retratada nos cinemas

Sandrine Kiberlain estrela longa que revela trajetória tumultuada da atriz francesa que passou por amputação de perna

Sandrine Kiberlain em A divina Sarah Bernhardt -  (crédito: Imovision)
Sandrine Kiberlain em A divina Sarah Bernhardt - (crédito: Imovision)

Crítica // A divina Sarah Bernhardt ★★★

A relação com o público de uma das mais celebradas atrizes francesas, a pioneira do cinema (para além da figura fundadora nos palcos) Sarah Bernhardt foi intensa ao ponto de, quando de sua morte, haver gerado cortejo acompanhado por mais de 600 mil pessoas. Interpretada por Béatrice Agenin, foi retratada em Amélia, de Ana Carolina. Foi no Brasil, no começo do século 20, que a atriz de personalidade incisiva sofreu um acidente ao encenar La Tosca, que lhe ocasionou a amputação de uma perna.

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Cercada por homens como o dramaturgo Sacha Guitry (Arthur Mazet, na telona), Emile Zola, Freud, Edmond Rostand (autor de Cyrano de Bergerac) e Victor Hugo, Sarah soube se impor, em meio a um estilo de vida suntuoso, e, neste filme de Guillaume Nicloux (lembrado pelo retrato da opressão em um convento, no filme A religiosa), antes de tolhida dos movimentos e dos tristes anos de esquecimento, ganha um colorido irônico, divertido e cheio de vida na interpretação de Sandrine Kiberlain (de Mademoiselle Chambon e O pequeno Nicolau).

Corajosa e vibrante no roteiro de Nathalie Leuthreau, Sarah desfila num elaborado campo cênico administrado por Yves Cape (diretor de fotografia que trabalhou com Leos Carax e Bruno Dumont). O filme foi indicado aos prêmios César nas categorias de melhor desenho de produção e de melhor figurino.

Até a morte, em 1923, numa jornada progressista, a atriz viveu intensa relação com Lucien Guitry (o convincente Laurent Lafitte, de filmes como O conde de Monte Cristo), e, ao final do longa, prevalece o registro dessa intensa história de amor casualmente abençoada pela interferência do filho de Sarah, Maurice (Grégoire Leprince-Ringuet, de A bela Junie e Canções de amor).

 

 

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postado em 17/07/2026 06:12
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