
A trajetória de Francisco Galeno, um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira, ganha uma grande homenagem na exposição: Galeno, o mistério do simples, em cartaz na Caixa Cultural Brasília. Nesta quarta-feira (15/7), o Correio visitou a mostra, que reúne mais de uma centena de obras, fotografias, objetos pessoais e documentos históricos para reconstruir a vida e a produção artística do piauiense criado em Brazlândia.
Mais do que uma retrospectiva, a exposição apresenta um percurso pela memória afetiva do artista. Carrinhos de madeira, pipas, lamparinas, fechaduras e outros elementos que marcaram sua infância aparecem transformados em pinturas, esculturas, gravuras e objetos, mostrando como Galeno fez da simplicidade uma linguagem artística reconhecida nacional e internacionalmente.
A mostra também carrega um significado especial para a família. O projeto começou a ser elaborado quando o artista ainda estava vivo e desejava realizar uma grande exposição na Caixa Cultural. A aprovação veio após sua morte, em junho de 2025.
"Foi algo que a gente já vinha elaborando junto com a galeria, tentando aprovar o projeto na Caixa. Agora ver isso realizado é bem emocionante", afirma João Francisco de Andrade Galeno, filho do artista e responsável pelo Instituto Galeno.
Entre as obras expostas, uma tem um valor afetivo especial para a família. Trata-se de Espelho d'Água, adquirida recentemente por João. Segundo ele, a peça representa um dos primeiros estudos desenvolvidos pelo pai para o projeto da orla de Brazlândia, que mais tarde daria origem ao conhecido calçadão da cidade.
A exposição também amplia o olhar sobre a história de Galeno por meio de fotografias e reportagens cedidas pelo Acervo do Cedoc do Correio. Os registros mostram momentos importantes da carreira do artista, como a criação do mural da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 308 Sul, e a pintura do calçadão de Brazlândia.
Para Onice Moraes, da Referência Galeria, responsável pela coordenação geral da mostra, esse material foi essencial para contextualizar a trajetória do artista.
"A nossa intenção era mostrar as obras do Galeno e contar a história dele. O material do Correio veio exatamente contando essa história. Foi muito importante para nós", destaca.
O próprio título da exposição ajuda a explicar a essência da produção de Galeno. Segundo Onice, a aparente simplicidade dos elementos presentes em suas obras esconde uma construção artística sofisticada.
"Todo mundo quer ter um Galeno. Os elementos se repetem, como carrinhos, pipas, lamparinas e fechaduras, porque fazem parte das lembranças da infância dele. A visualização parece simples, mas a obra é sofisticada, cheia de história e conteúdo. Acho que é aí que está o mistério", afirma.
Para João Galeno, a exposição também representa uma oportunidade de aproximar novas gerações da arte brasileira. "O gosto pela cultura vem do berço. Os pais precisam trazer as crianças para conhecer exposições. Mesmo sem entender tudo, elas começam a criar essa relação com a arte", diz.
Ao reunir obras de diferentes fases da carreira, documentos históricos e lembranças pessoais, "Galeno, o mistério do simples" reafirma o legado de um artista que transformou objetos cotidianos e memórias da infância em uma das produções mais singulares da arte brasileira contemporânea.

Diversão e Arte
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