
Com 120 obras que fazem uma retrospectiva da trajetória de um dos artistas mais emblemáticos do Planalto Central, a exposição Galeno, o mistério do simples é um convite a um universo que mistura referências populares a um dos mais elegantes manejos da cor da arte brasileira. Em cartaz na Caixa Cultural, a exposição traz obras selecionadas pelo curador Paulo Herkenhoff e vem acompanhada de uma vitrine que reúne reportagens históricas do Correio Braziliense sobre Francisco Galeno.
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O ponto de partida da curadoria de Herkenhoff está nas origens do artista. Nascido em Parnaíba (PI), filho de uma costureira e de um marceneiro que veio tentar a vida na construção de Brasília nos anos 1960, Galeno fez dos objetos, cores e histórias que o cercavam a matéria prima para as pinturas e esculturas. Lamparinas feitas de alumínio, piões de brincadeiras de crianças, carretéis de linhas, pipas e barcos formavam o universo da infância que acabou transportado para as pinturas. "A gente está trabalhando com a complexidade simples da obra dele, mas acho que o Galeno aponta para muitas digressões. "O Galeno tem suas particularidades. A obra dele traz uma memória do Nordeste."
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A aparente forma simples era uma das marcas da obra de Galeno, morto em junho de 2025. A complexidade está nas cores, estruturas, símbolos e signos que formam um repertório cheio de referências. "Ele inventava arquiteturas fáceis", diz o curador. Com isso, criou uma obra que dialoga com a geometria latino-americana que embalou alguns dos movimentos artísticos mais importantes do continente.
Registro de uma vida
Fotografias históricas preservadas pelo Centro de Documentação do Correio (CEDOC) e reproduções de reportagens e entrevistas com Francisco Galeno fazem parte da exposição. O material é fruto de uma parceria institucional com a organização da mostra. Galeno foi entrevistado pelo Correio Braziliense dezenas de vezes ao longo das mais de quatro décadas de carreira. Algumas das imagens expostas mostram o artista em sua casa-ateliê, em Brazlândia, à vontade no ambiente no qual costumava dar forma a boa parte de sua produção. Uma série de fotos acompanha a confecção dos murais da Igreja Nossa Senhora de Fátima, a Igrejinha da 308 Sul, projeto para o qual foi convidado com a missão de preencher um espaço outrora ocupado por afrescos de Alfredo Volpi, destruídos ao longo das décadas. Há ainda imagens que acompanham a confecção do calçadão de Brazlândia, na orla do lago Veredinha, projeto do artista.
Serviço
Galeno, o mistério do simples
Curadoria: Paulo Herkenhoff. Visitação até 4 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h, na Caixa Cultural.

Diversão e Arte
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