Cinema

O que é Imax e por que 'A Odisseia' aposta na tecnologia

Longa de Christopher Nolan que estreia nesta quinta-feira (16/7) é o primeiro gravado integralmente com câmeras IMAX

A sigla IMAX vem da expressão Image Maximum -  (crédito: Reprodução/Instagram)
A sigla IMAX vem da expressão Image Maximum - (crédito: Reprodução/Instagram)

A Odisseia, novo filme de Christopher Nolan que estreia nesta quinta-feira (16/7), chega aos cinemas cercado por um feito inédito: é o primeiro longa-metragem gravado integralmente com câmeras Imax. A produção reacendeu o interesse pela tecnologia, conhecida pelas telas gigantes e pela experiência mais imersiva, mas que ainda é pouco acessível no Brasil. 

Embora o formato exista há décadas e já tenha sido utilizado em diversas superproduções, diretores costumavam recorrer às câmeras Imax apenas em sequências específicas. O motivo estava nas limitações técnicas dos equipamentos, que dificultavam o uso durante toda a produção.

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O que é IMAX

A sigla Imax vem da expressão Image Maximum e representa um conjunto de tecnologias desenvolvido para ampliar a sensação de imersão do público. Isso é possível graças a câmera que filma com uma resolução extremamente alta. A tecnologia foi criada pela empresa canadense Imax Corporation em 1970.

Para comportar esses filmes, as salas contam com telas que ocupam praticamente toda a parede frontal, projeção de alta resolução, sistema de som calibrado especificamente para cada ambiente e uma disposição dos assentos pensada para aproximar o espectador da imagem. O resultado é um campo de visão ampliado e uma experiência audiovisual mais envolvente do que a encontrada em salas convencionais.

Para o professor do Departamento de Audiovisual da Universidade de Brasília (UnB), crítico de cinema e cineclubista João Batista Lanari Bo, a principal diferença está justamente na forma como o espectador percebe o filme.

"A experiência do Imax é mais imersiva, mais arrebatadora. Mas a experiência nas salas convencionais também é, dada a superprodução do filme e tendo em vista também a natureza épica do poema homérico”, disse ao Correio.

  • Tela IMAX no Cinépolis
    Tela IMAX no Cinépolis Reprodução/Cinépolis
  • Nolan com a câmera IMAX
    Nolan com a câmera IMAX Reprodução/Instagram
  • Nolan com a câmera IMAX
    Nolan com a câmera IMAX Reprodução/Instagram

Por que era tão difícil gravar um filme inteiro em Imax?

As tradicionais câmeras Imax foram desenvolvidas para registrar imagens em película de 70 milímetros, capaz de capturar um nível de detalhes superior ao das câmeras convencionais (35 mm). Em contrapartida, os equipamentos sempre foram maiores, mais pesados e menos práticos de operar.

Outro desafio era a capacidade limitada de película. Cada chassi permitia apenas filmagens de três minutos de gravação antes da troca, tornando a produção de cenas longas ou complexas um processo mais demorado.

Segundo Lanari Bo, essa era uma das principais dificuldades para utilizar a tecnologia durante toda a filmagem.

"O principal problema do Imax é o chassi de negativo, que dá para tomadas de três a quatro minutos. Imagine como rodar cenas complicadas com esse tempo exíguo”, disse.

Para tornar A Odisseia viável, a Imax desenvolveu uma nova geração de câmeras em parceria com Christopher Nolan. Os equipamentos foram redesenhados para serem mais leves, silenciosos e práticos de operar, além de permitirem gravações mais longas. As mudanças possibilitaram que o diretor filmasse todo o longa utilizando exclusivamente equipamentos Imax.

O que muda para quem assiste?

Na prática, quem assistir ao filme em uma sala Imax terá acesso a uma imagem com mais detalhes, maior área de projeção, brilho e contraste superiores, além de um sistema de som desenvolvido para aumentar a sensação de imersão.

Ainda assim, Lanari Bo ressalta que a experiência não fica comprometida para quem optar por uma sala convencional.

"Quem assistir à versão Imax vai ter uma experiência mais imersiva, logo, mais qualidade”, disse. 

Além disso, vale lembrar que apesar de o Brasil contar atualmente com 12 salas Imax, nenhuma delas consegue reproduzir A Odisseia exatamente da forma como Christopher Nolan a filmou.

Isso porque o longa foi captado para exibição em Imax 70 mm, formato analógico que utiliza película de 70 milímetros e oferece a máxima qualidade de imagem desse sistema. Hoje, apenas 41 salas em todo o mundo estão equipadas para projetar o filme nesse padrão, e nenhuma fica no Brasil.

Isso não significa, porém, que o público brasileiro deixará de experimentar os benefícios da tecnologia. As salas Imax instaladas no país utilizam projeção digital de alta resolução, telas ampliadas e sistemas de som imersivos, oferecendo uma experiência superior à das salas convencionais, ainda que diferente da versão em Imax 70 mm.

Afinal, é um marco para o cinema?

O fato de A Odisseia ser o primeiro longa-metragem gravado integralmente com câmeras Imax é um feito técnico inédito. Antes dele, o formato já havia sido utilizado em produções como Batman: o cavaleiro das trevas, Interestelar, Dunkirk e Oppenheimer, todas dirigidas por Christopher Nolan, mas apenas em parte das cenas.

Para Lanari Bo, no entanto, é preciso relativizar o alcance dessa novidade.

"Não acho que seja propriamente um marco. Creio que a tecnologia já foi usada, mesmo que parcialmente. A estratégia de lançamento de A Odisseia está naturalmente explorando esse aspecto para atrair o público, um recurso válido, é certo, mas que não é integralmente verdadeiro”, disse.

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postado em 16/07/2026 17:40 / atualizado em 16/07/2026 20:27
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