
O ator Anderson Tomazini vive um dos momentos mais desafiadores e gratificantes de sua carreira. Filho de Taguatinga, ele retorna à televisão aberta como Osmar, o motorista da família Amaral, na novela Coração acelerado, após estrear em grande estilo como o garimpeiro Xodó em O outro lado do paraíso, também na TV Globo, em 2017.
A experiência de compor Osmar foi um verdadeiro "mergulho no inesperado" que, segundo o artista, reafirmou sua paixão pela atuação. "Osmar foi uma daquelas experiências que lembram por que eu escolhi ser ator", conta ele, que dividiu cenas com Leandra Leal, Daniel Oliveira, Marcos Caruso e Isabelle Drummond, entre outros nomes.
Com a única referência inicial de que seria o motorista da família, ele buscou inspiração em sua própria vivência como motorista de aplicativo em São Paulo e em grandes nomes do cinema. "Construí uma base e fui moldando ao decorrer da novela um personagem vilanesco, tentando manter a leveza sem sair do contexto", explicou sobre o processo que classificou como "inesquecível e muito gratificante".
Ambientada em um contexto que remete ao Cerrado, a novela das 19h da TV Globo proporcionou a Tomazini a oportunidade de atuar ao lado de um elenco estelar. "Era uma oportunidade única de mostrar para o Brasil inteiro muito do que eu vivi, tanto a ambientação na minha terra natal quanto a música sertaneja", afirmou o libriano de 37 anos, que viu na trama uma chance de resgatar suas raízes.
Pausa forçada
A experiência em O outro lado do paraíso, onde dividiu cenas com Fernanda Montenegro e Lima Duarte, deixou marcas profundas em sua formação. "Respeito, humildade e generosidade. Numa profissão tão disputada, subjetiva e difícil, como a do ator, posso afirmar com toda certeza que os grandes só chegam lá porque têm como base esses valores", afirmou Tomazini, refletindo sobre o que aprendeu com os veteranos. "Existem muitos atores talentosos, mas só o talento não é combustível para o sucesso. Esses valores são indispensáveis para uma carreira de sucesso", avaliou ele, que foi indicado ao Melhores do Ano como Ator Revelação daquele ano e atuou na Dança dos famosos.
O ator também abordou o período em que se afastou das novelas, durante a pandemia de covid-19, que ele classifica como uma "pausa forçada". Em busca de previsibilidade, ele retornou a Brasília e investiu em empresas, uma experiência que resultou em perdas financeiras, mas que trouxe um amadurecimento crucial. "No fim deu tudo errado, entrei em uma furada, perdi uma quantia significativa nessa empreitada e esse foi meu amadurecimento. Não adianta trabalhar em algo pensando num 'plano B', pois você nunca vai estar por inteiro em nada. Tudo isso fortaleceu e amadureceu a certeza do que quero como pessoa e como artista", refletiu Anderson, que passou pelo SBT na novela A infância de Romeu e Julieta, em 2023.
Novas cortinas
Foi nesse contexto desafiador que ele idealizou o projeto Leitura Viva, que explorou formatos digitais de leitura dramatizada. "Foi um período muito triste e desafiador, porque ele provou a capacidade que a arte tem de se reinventar", avaliou. "A tecnologia abriu novas cortinas. Ela nos permitiu continuar contando histórias, chegando às casas das pessoas e mantendo viva essa conexão. Acredito que o futuro das artes cênicas está, justamente, nesse equilíbrio", concluiu sobre a experiência.
Para o ator, ser brasiliense é a base de sua identidade artística. "Brasília nasceu de um sonho que se tornou realidade. Meus avós saíram de suas cidades para fazer parte da construção deste sonho, isso me traz um senso de pertencimento gigantesco e uma conexão muito especial com a cidade, principalmente Taguatinga, que foi onde cresci e fui criado", disse. Essa herança molda sua visão de mundo e sua garra. "Ser filho de Brasília, para mim, é compreender que nossas escolhas não devem ser limitadas ao óbvio. Temos que sonhar alto, trabalhar muito, nunca desistir e acreditar que o impossível é só uma questão de opinião", concluiu.

Diversão e Arte
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