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Para Pietro Antonelli, o alicerce é a herança recebida dos pais famosos

Filho de Murilo Benício e Giovanna Antonelli, Pietro Antonelli estreia em novelas na trama das nove "Quem ama cuida" e fala sobre privilégio, preconceito e a descoberta do ofício. "O amor me move", declara o ator de 21 anos

Filho único da união entre Murilo Benício e Giovanna Antonelli, ele pode ser, sim, um "nepobaby" — como ele mesmo admite com naturalidade desarmante —, mas carrega nos ombros a responsabilidade de quem entende que o DNA famoso abre portas, mas são as escolhas e o talento que fazem a pessoa atravessar a soleira. Aos 21 anos, Pietro Antonelli faz sua estreia em novelas na pele de Felipe, o playboy arrogante e com valores distorcidos agregado à família Brandão em Quem ama cuida, e rende burburinho nas redes sociais com uma performance que promete dividir opiniões.

Pietro relembra com carinho os conselhos que ouviu em casa. "Meus pais sempre me alertaram sobre os altos e baixos, o lado frustrante da profissão. Eles nunca me pintaram um conto de fadas", conta. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, não houve um estalo aos 5 anos, nem um ensaio precoce para uma novela infantil. A decisão de levar a atuação a sério veio como um rio que se forma: gota por gota.

"Comecei a fazer teatro na adolescência como lazer. Depois, com uns 18 anos, voltei a fazer cursos e comecei a me divertir de verdade. Quanto mais eu estudava, mais me apaixonava. Foi um processo, não um momento exato", explica Pietro. Nesse percurso, o apoio irrestrito dos pais foi o alicerce. "Enquanto eu não conseguia trabalho, eles diziam: 'Calma, vai por aqui. Faz a faculdade'. Fazer qualquer coisa com o apoio dos seus pais muda completamente a perspectiva", lembra o carioca.

Foi nesse ambiente de incentivo que Pietro ingressou na faculdade de artes cênicas, aprimorando o ofício enquanto aguardava a chance. A chance, como ele define, chegou "no tempo certo". Uma das primeiras decisões de Pietro ao iniciar a carreira foi uma escolha sonora: usar o sobrenome materno, Antonelli. "É literalmente uma questão de sonoridade. Pietro Antonelli me soa mais artístico, mais diferente, com uma pegada italiana. E meu irmão já usa Benício, então ficou natural", justifica, referindo ao também ator Antonio Benício, fruto do relacionamento do pai com Alessandra Negrini.

A decisão, porém, não o blindou do rótulo que assombra a nova geração de artistas: o de "nepobaby". Longe de se ofender, Pietro encara a nomenclatura com lucidez. "Eu sou, né? Ser 'nepo baby' é ser filho de pessoas muito bem-sucedidas na profissão, e eu sou. Graças a Deus, meus pais são dois atores incríveis. Tenho dois professores em casa, tiro todas as minhas dúvidas. Não tem preço", elogia ele, que também é irmão das gêmeas idênticas Antonia e Sofia — fruto do casamento da mãe com o diretor Leonardo Nogueira. E o geminiano explica que a diferença está na postura: "Muita gente trata como coisa pejorativa. Eu tento tratar a posição com o máximo de respeito, foco e esforço. Honrar o lugar privilegiado que eu tenho".

Xram Radge - Pietro Antonelli, ator

Um playboy com camadas

Na trama escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Felipe poderia facilmente ser o vilão unidimensional — o herdeiro que olha para os empregados com desdém e trata os desafetos com soberba. Mas, sob a interpretação de Pietro, o personagem ganha camadas que beiram a psicologia. "Eu tento pensar na vida real. Até a pior pessoa do mundo tem alguma coisa boa. As pessoas são dúbias. O Felipe não é uma pessoa ruim, ele cresceu em uma família que não tem conscientização. Ele acha que a vida é assim porque ninguém o conscientizou", analisa. E pondera que a "ruindade" vem de casa, e não de uma maldade inata: "Todo mundo tem um motivo para ser como é".

Essa complexidade agrada o ator, que poderia ter optado pelo papel do mocinho, mas preferiu o desafio. "Gosto de fazer esse cara que tem camadas. Em uma cena, você pensa: 'Que cara ruim'. Em outra, acha simpático. A vida real é assim", resume. 

Um dos assuntos que mais agitam os fãs da novela é a especulação sobre a sexualidade de Felipe. As entrelinhas sugerem que o personagem pode viver um romance com Mau Mau (João Victor Gonçalves), e Pietro não esconde sua torcida. "Acho 100% importante", enfatiza.

Sua defesa pela abordagem vem de um lugar genuíno: "A coisa mais linda do mundo é o amor romântico. Foi a melhor sensação que já senti na vida, estar apaixonado. As pessoas não podem ser reprimidas por estarem apaixonadas. Seja por quem for, você deve se apaixonar. E o que você tem a ver com a vida de outra pessoa? Deixa a pessoa se apaixonar pelo que quiser. Vai ser uma honra representar essas pessoas que foram reprimidas".

A escola dos bastidores

Contracenar com um elenco que reúne nomes como Antônio Fagundes, Flávia Alessandra, Alexandre Borges e Isabel Teixeira, sob a direção da premiada Amora Mautner, poderia ser intimidador. Para Pietro, é uma aula diária. "Todo dia que saio da Globo, saio melhor. Me vejo na tela e vejo o que posso melhorar", avalia o novato.

Ele revela um método quase antropológico de aprendizado: "Às vezes, a câmera nem está em mim e eu fico assistindo a cena de alguém como se fosse uma aula. Observo de onde vem, como fazem". Os toques, porém, vêm de maneira informal. "O Alexandre sempre me dá uns toques: 'Pode falar mais baixo aqui, pode fazer mais assim'. E a Amora tem um jeito único de dirigir, desafiador, que te exige subir de nível, sair da zona de conforto", relata.

Antes das novelas, Pietro havia experimentado as câmeras no longa-metragem Preto no branco. A diferença entre as mídias, para ele, está menos na essência e mais no ritmo. "A novela está cinematográfica, com planos muito trabalhados. No cinema, o processo é mais lento por causa de uma câmera só. Mas aqui também estamos caprichando", reflete.

E, quando não está diante das câmeras, o que move o jovem de 21 anos? A resposta vem com a rapidez de um coração apaixonado. "O amor. O amor romântico, que é meu preferido, mas o amor de forma geral. Estar com a galera que amo, sem compromisso. Até na profissão, o amor me move. Parece clichê, mas a base de tudo tem que ser o amor", finaliza.

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Globo/Divulgação -

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