Aos 40 anos completados em abril deste ano, o ator Thomás Aquino atravessa um dos momentos mais celebrados de sua trajetória. Natural de Recife, ele integra o elenco de O agente secreto, longa dirigido por Kleber Mendonça Filho que concorreu ao Oscar 2026, levando o cinema brasileiro mais uma vez ao centro das atenções globais. Para ele, a experiência vai muito além do tapete vermelho e das campanhas internacionais. "É sempre um prazer imenso fazer parte da cultura nacional, representando um país, e mostrando o nosso potencial", celebra o pernambucano, que destaca o fato de a obra ter sido filmada na cidade natal dele, além de "mostrar um pouco a beleza na década de 1970, retratar também um momento histórico em que vivíamos, e que de certa forma vivemos na atual conjuntura política".
Antes dessa indicação ao Oscar, no entanto, foi Bacurau que colocou Thomás Aquino no radar internacional. O filme, também dirigido por Mendonça Filho, rodou festivais mundo afora e consolidou uma nova geração de intérpretes brasileiros. O ator reconhece o peso dessa obra até hoje. "Bacurau ainda é um filme que repercute na minha carreira", comemora. Ele acrescenta que o amadurecimento pessoal é o que realmente transforma sua arte. "O agente secreto é uma soma do quão me sinto pronto para alcançar novos desafios e continuar fazendo arte. O que posso dizer é que, a cada trabalho que faço, o que modifica é a minha maturidade para dar vida aos personagens, e o tesão que sinto em ler o próximo roteiro", observa.
Prêmios diversos
O reconhecimento crítico também veio em forma de prêmios. Thomás Aquino ostenta um Kikito de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado por Todos os mortos, e o mesmo título por Deserto particular no Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro. Em 2021, o ex-malabarista de rua e Papai Noel de shopping foi eleito Melhor Ator por Curral no Festival de Huevas, na Espanha, e no Miami Inffinito Film Festival.
Ainda assim, o taurino faz questão de relativizar o impacto dessas vitórias na abertura de portas. "Eu sinceramente não sei dizer se as premiações foram vistas pelas pessoas que me convidam a fazer os projetos. Eu acredito que o filme e o desempenho que levo diante das câmeras são mais factíveis para uma nova proposta de trabalho. Talvez, após lerem essa matéria, algumas pessoas saibam e se surpreendam que ganhei tais prêmios", brinca.
A expansão internacional ganhou um novo capítulo com Homem em chamas, série de ação da Netflix lançada em abril, na qual Thomás contracena com o vencedor do Emmy Yahya Abdul-Mateen II. Para ele, atuar em uma produção global com elenco de Hollywood não é apenas um marco pessoal, mas uma afirmação da capacidade do ator brasileiro. "Com certeza, muda. É mostrar que além de interpretar na sua língua materna, o ator tem capacidade de explorar e mostrar outros dons em outras línguas também. Isso, sem sombra de dúvidas, é uma abertura para novos projetos, tanto nacionais quanto internacionais", aposta o ilustre recifense.
A chegada às novelas
Na televisão, o ator chegou há pouco tempo, mas também coleciona feitos notáveis. Em 2023, protagonizou Guerreiros do Sol, que venceu o Rose d'Or Awards, uma das premiações mais cobiçadas do mundo, na categoria Melhor Telenovela. O orgulho pela obra é evidente em suas palavras. "É, de fato, uma novela que me fez perceber ainda mais que o Brasil tem muito potencial para conquistar o que quiser com seus roteiros. Nós sabemos fazer arte, sabemos reescrever histórias, sabemos filmar e montar obras, que podem virar grandes marcos, o que Guerreiros do Sol, ao meu ver, já se tornou", pondera ele, que foi indicado a Melhor Ator no Prêmio APCA de Televisão pela série Os outros.
A versatilidade de Thomás Aquino fica ainda mais clara quando se observa sua sequência de trabalhos na televisão aberta. Após o Josué de Guerreiros do Sol — que lhe rendeu indicação ao Melhores do Ano da TV Globo —, emendou o papel de Ronei em Coração acelerado, imediatamente após se despedir do Mário Sérgio do remake de Vale tudo. "Exige muito trabalho físico e mental para sair de um personagem e começar a estudar para entrar em outro. É cansativo, mas é satisfatório, pois o resultado final, com o diálogo com o espectador, e ver como eles falam e gostam do personagem, é a sensação de um trabalho cumprido", avalia ele, que, para manter a sanidade nesse turbilhão, revela uma rotina afetiva: levar o cachorro T'Challa para passear e brincar seja onde for. "Ele me dá muito amor e calma", avisa.
De Tatuagem, filme de Hilton Lacerda de 2013, até a indicação ao Oscar com O agente secreto em 2026 são muitos anos de estrada, prêmios e personagens marcantes. Quando perguntado sobre o momento em que percebeu que seu trabalho realmente estava sendo visto, o ator faz uma pausa reflexiva. "São anos de carreira, tentando e buscando o melhor. Cavando espaço. Procurando testes. E não desistindo. Acredito que isso já foi fazendo meu trabalho começar a ser visto. Cada teste que eu fazia, um novo Thomás surgia com uma nova ferramenta. Até que os 'nãos' viraram 'sim', e eu comecei a fazer parte dos projetos", finaliza.
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