Entrevista

Corrida dos bichos: ator Rodrigo Santoro fala sobre novo longa distópico

Rodrigo Santoro apresenta "Corrida dos bichos", filme que transforma um Rio de Janeiro devastado em palco de uma disputa brutal

Rodrigo Santoro interpreta Abu, um dos chefes da corrida dos bichos     -  (crédito: Laura Campanella)
Rodrigo Santoro interpreta Abu, um dos chefes da corrida dos bichos - (crédito: Laura Campanella)

Em um futuro distópico, a cidade do Rio de Janeiro está destruída após uma catástrofe ambiental. O que antes era conhecido como a "Cidade Maravilhosa" agora é centro de uma competição violenta, baseada na lógica dos jogos de azar e comandada por um grupo de milionários. Em Corrida dos bichos, cada competidor deve percorrer diferentes áreas da cidade em busca de um prêmio que pode mudar vidas, especialmente em meio à realidade de desigualdade social em que a capital se encontra. Os participantes, porém, precisam oferecer uma pessoa próxima como garantia do próprio desempenho, transformando a competição por dinheiro em uma questão de sobrevivência.

À primeira vista, o novo longa do Prime Video pode remeter a outras produções internacionais de sucesso, como Jogos vorazes ou Round 6. Porém, a ideia por trás da produção brasileira, idealizada por Ernesto Solis, surgiu há duas décadas. "Ele demorou 14 anos para ter o projeto aprovado", revela Rodrigo Santoro, que interpreta Abu na trama. "Algumas comparações têm sido feitas com outros filmes que também tratam dessa coisa do game, mas Corrida dos bichos é muito anterior a tudo isso", garante o protagonista.

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Para Santoro, porém, a distopia funciona apenas como ponto de partida. "Não é uma realidade tão distante, nas devidas proporções, ao que a gente está vivendo nos dias de hoje". É nesse cenário em que Mano, personagem de Matheus Abreu, vê o pai afundado em dívidas por conta da corrida e se torna líder de um grupo rebelde que tem como objetivo sabotar o jogo. O jovem, no entanto, acaba entrando na disputa para salvar a vida da irmã, que foi colocada como garantia pelo namorado em uma aposta. Em determinada cena, a influenciadora Divina, interpretada por Anitta, resume a dinâmica: "É ilegal, é cruel, mas é assim que o povo gosta".

"Uma das coisas que mais me chamou atenção no roteiro foi justamente a ideia de, por meio de uma alegoria, utilizar elementos da cultura brasileira para fazer também uma crítica social a temas que são completamente contemporâneos, como a desigualdade social. Eu acho que esse assunto é uma espécie de pilar da história. A própria crise climática também, que a gente já vive há alguns anos e que seria um ponto de partida do porquê o Rio teria ficado dessa forma", explica o ator.

Rio de Janeiro se transforma em palco de uma disputa brutal no novo filme do Prime Video
Rio de Janeiro se transforma em palco de uma disputa brutal no filme Corrida dos bichos (foto: Laura Campanella)

Outro tema abordado pelo filme é a cultura do espetáculo, simbolizada pelo personagem de Santoro. "Abu representa muito essa realidade que a gente já está vivendo, em que a aparência domina a essência de qualquer coisa. E isso não tem nada de futuro, é absolutamente presente", declara o ator. Marido de três esposas na ficção, ele é um dos chefes do jogo e se torna uma espécie de celebridade por ter criado o universo da corrida dos bichos. "Ele é esse cara que adora ser idolatrado e adorado. É alguém que só se reconhece pelo olhar do outro", descreve o protagonista.

Encontro aguardado

Em Corrida dos bichos, Rodrigo Santoro faz parte de um elenco estelar composto por nomes como Grazi Massafera, Isis Valverde, Seu Jorge e Bruno Gagliasso, todos comandados pelo olhar de Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, Dois Papas e Ensaio sobre a cegueira. O filme marca o primeiro trabalho conjunto dos dois brasileiros que conquistaram Hollywood. "A gente teve um encontro há muitos anos, bem no início da minha carreira, quando a Rede Globo comprou os direitos de Mar Morto, de Jorge Amado, para fazer uma minissérie", lembra o ator.

No projeto, Santoro faria o papel de Guma, enquanto Meirelles seria o diretor. "Era o meu segundo trabalho na televisão, eu era superjovem, mas, por alguma razão, acharam que eu deveria ser o protagonista", continua. "Comecei a treinar, fazer capoeira e fiquei dois meses me preparando. Aí, a Globo decidiu que o orçamento estava muito alto e transformou a minissérie em uma novela, que foi Porto dos milagres", narra o ator.

Meirelles, portanto, saiu do projeto e Santoro, desde então, se perguntava quando teria outra oportunidade de trabalhar com o cineasta. "E olha que estamos falando de 1993", ressalta o carioca. "Fiquei admirando a carreira do Fernando ao longo dos anos e a gente sempre falava: "Um dia tem que dar certo". E, finalmente, saiu esse encontro, que foi na Corrida dos bichos", celebra o ator.

A experiência, segundo ele, foi "maravilhosa". "Apesar do talento, reconhecimento e toda a experiência que o Fernando tem, ele é extremamente curioso, presente, generoso e muito aberto", elogia Santoro. "Pelo menos metade do Abu que aparece no filme é improviso. Ele é um personagem complexo e rico, que tem uma personalidade que me permitia exercitar a improvisação. E ele (Meirelles) me incentivava muito. Eu falava: "Será que vai ficar legal?", e ele respondia: "Se não ficar, a gente não usa". No final das contas, tudo entrou no filme", diz o ator.

"Eu fui muito feliz trabalhando com ele, em todos os dias e em cada pequena construção. Acho que ele não só criou uma atmosfera de trabalho propícia à criação, como é alguém que está investido no que está acontecendo no momento. Ele vê uma coisa que gosta e fala: "Vamos aproximar aqui, vamos fazer isso". É um processo de feitura artesanal nesse sentido que incentiva muito o ator", detalha.

A expectativa de Santoro é que Corrida dos bichos tenha sido apenas a primeira de muitas parcerias com Meirelles. "Eu não quero esperar mais 20 anos. Eu quero trabalhar com ele de novo, em breve", finaliza o carioca.

 


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dos bichos
    Rio de Janeiro se transforma em palco de uma disputa brutal no filme Corrida dos bichos Foto: Laura Campanella
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    Aponte a câmera do celular para o QR Code e assista a entrevista com Rodrigo Santoro na íntegra Foto: produção
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postado em 09/08/2026 05:00 / atualizado em 09/08/2026 08:42
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