
No convívio entre o novo e o estabelecido, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na 59ª edição, dispara no imaginário nacional, com legado de resistência e afirmado entre os dias 11 e 19 de setembro, no tradicional Cine Brasília (EQS 106/107). Bastante associada ao evento, a atriz Júlia Lemmertz, premiada com troféu Candango em 1986, pelo longa A cor do seu destino (de Jorge Durand), e integrada a concorrentes como Música para quando as luzes se apagam (2017) e Amor? (documentário híbrido de João Jardim), receberá uma das homenagens do evento.
O prêmio vem pelo conjunto da obra, que abrange títulos como Pequeno segredo, de Davi Schurmann; As três Marias e Um copo de cólera, de Aluizio Abranches; Onde andará Dulce Veiga? e A hora mágica, de Guilherme de Almeida Prado. Um filme póstumo de Sílvio Tendler (Pontos de partida) a ser exibido, e homenagens aos falecidos Luiz Carlos Barreto e Orlando Senna se juntarão às homenagens para a cineasta Tata Amaral (que receberá o prêmio Leila Diniz) e para a preservadora de filmes. E a professora Fernanda Coelho (que receberá a Medalha Paulo Emilio Sales Gomes).
Um bloco de mais de 1600 filmes (317 dos quais, longas) inscritos passou por seleção, e resultou na lista apresentada, ontem, pelo diretor artístico Eduardo Valente. Na lista central, a animação mineira de Fernanda Salgado, Ana, en passant; a produção ceilandense Sabes de mim, agora esqueça, de Denise Vieira; o filme da mesma produtora de Ainda estou aqui, Privadas de suas vidas (assinado por Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner); a produção goiana Pequenas tragédias, de Daniel Nolasco; o longa do habitué de Brasília André Novais Oliveira, Se eu fosse vivo... vivia, que marca a estreia da autora Conceição Evaristo como atriz e Todo sentimento (de Ary Rosa e Glenda Nicácio, presentes em outras edições, com os longas Ilha e Café com canela; além do documentário Tudo é tempo (de Marcos Guttman), centrado em grupo de eleitores com vidas retratadas entre os períodos de 2002 a 2022. Entre os 12 curtas, há destaques como o filme local Gastronomia do olho, de Nicolau, e um filme do cineasta indígena Wera Poty, Tiró e a onça.
Da Mostra Brasília, projetam-se longas como Onde moram os irmãos (Marisa Mendonça); Amadeo e o hipotético mundo novo (Brenda Lígia e Edu Felistoque); Mapas (Rafael Lobo) e Nem todos sabem (Edileuza Penha de Souza). Uma das novidades, no evento sob direção geral de Sara Rocha, será a inclusão da chamada Sala 2 do Festival (deslocada para o Cine Cultura Liberty Mall), e que, pela manhã, em caráter gratuito terá reprises das mostras centrais.
Muitos nomes de peso se espalharão por toda a programação que alcançará cidades como Samambaia, Planaltina, Taguatinga e Ceilândia. O promissor terror soft de Rodrigo Aragão invadirá o Festivalzinho, enquanto o multipremiado Julio Bressane apresentará novo filme, fora de competição. E a dupla local Jimi Figueiredo e Sergio Sartório trará Histórias de terror e delicadeza. Uma comitiva de criadores de Pernambuco virá com os primeiros episódios da inédita série Delegado (com produção dos criadores de O agente secreto, também presentes). Jom Tob de Azulay (de O judeu), Vladimir Carvalho, Fernando Cony Campos (com o curta Brasília: Planejamento urbano) e Ruy Guerra (autor do roteiro de Tempo à faca) são alguns nomes de veteranos a serem celebrados no Cine Brasília, no evento a ser encerrado com Verão da lata (de Santiago Dellape) e a boa nova de um apoio da Petrobras, com aporte compromissado para o evento de 2027.

Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte