Luto

"Morte é um de seus temas mais importantes", disse curador de Yayoi Kusama

Yayoi Kusama, artista japonesa, faleceu no dia 14 de agosto e utilizava a arte para acalmar a dor

A renomada artista Yayoi Kusama, teve recorde de publico no Brasil  -  (crédito: AFP)
A renomada artista Yayoi Kusama, teve recorde de publico no Brasil - (crédito: AFP)

É de conhecimento popular que a dor alimenta a arte e que um pouco de obsessão pode fazer muito pelo trabalho artístico. Um exemplo claro é a artista japonesa Yayoi Kusama que, em embate com sua própria mente, utilizava a arte como ferramenta de expressão e de fuga. A artista morreu no dia 14 de agosto em um hospital em Tóquio e, diagnosticada com desordem da personalidade e transtorno obsessivo compulsivo, vivia em dependências médicas desde 1997.

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Conhecida pelas obras lotadas de bolinhas, figura que enxergava em suas alucinações, a japonesa faleceu aos 97 anos. Em seu site oficial, uma nota comenta um pouco da vida da artista. “Ele dedicou toda a sua vida a atividades internacionais como artista de vanguarda em diversas áreas, incluindo artes plásticas, performance, romances e poesia. Nunca largou o pincel até pouco antes de sua morte, continuando sua busca pelo amor eterno e pela alma”, diz a nota.

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Em 2014, uma exposição de Yayoi chegou à capital no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e bateu recorde de público no país, somando mais de dois milhões de visitantes entre Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O curador da exposição Obsessão Infinita, Philip Larratt Smith, afirmou em entrevista ao Correio na época que a morte era uma ideia presente no trabalho da japonesa.

“Ela sempre quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ser o centro das atenções e então desaparecer completamente. Morte é um de seus temas mais importantes, ancorado simultaneamente na ansiedade e na vontade de ter paz.O contraditório e até paradoxal caráter de suas ideias sobre a morte são evidentes em todos os lugares”, afirmou o curador Philip Larratt Smith.

A curadora brasiliense Renata Azambuja afirma que além do trabalho, a persona de Kusama é marcante. “ Ela é uma mulher, uma japonesa que nasce em um momento em que a mulher estava pensada para ser uma dona de casa. Ela já cedo se rebelou contra essa situação”, afirma. Sobre a obra, Renata destaca a pegada surrealista da artista.

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“Apesar da gente conhecer ela pelas bolinhas, ela era uma mulher engajada em relação aos direitos LGBTQIAPN+,se engajava na política, tinha já lá atrás uma preocupação ambiental. O fato dela fazer tratamento psiquiátrico e não esconder isso também, eu acho muito legal”, conta a curadora. Renata ressalta que Yayoi contaminou o mundo com as suas bolinhas, criando coleções para Louis Vuitton e mostrando que para alguns artistas, tudo é possível.

 

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postado em 27/08/2026 18:06
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