Artes Visuais

Polifonia cultural brasileira em foco no 11º Mês da Fotografia

A 11ª edição do Festival Mês da Fotografia será inaugurada, nesta terça-feira, com a mira na complexidade e na diversidade do país

"O Brasil plural propõe uma polifonia, em que o país se olha no espelho sem filtros e em toda a sua complexidade", afirma Denise Camargo, curadora da exposição Retratos de um Brasil plural: origem, território e diversidade, que abre a 11ª edição do Festival Mês da Fotografia (FMF) amanhã, no Museu Nacional da República. A mostra reúne fotografias que representam a pluralidade brasileira e dá início a uma programação gratuita que inclui palestras, oficinas, encontros com autores e projeções mapeadas na cúpula do museu ao longo do mês. 

Idealizado pelo fotógrafo Eraldo Peres, o Festival Mês da Fotografia chega à 11ª edição consolidado como um espaço de valorização da produção fotográfica nacional e de formação de público. "A realização da 11ª edição do Festival representa a consolidação de um projeto construído coletivamente ao longo dos anos. A cada edição, reafirmamos nossa convicção de que a fotografia é uma linguagem capaz de conectar pessoas, preservar memórias e ampliar o olhar sobre a diversidade do Brasil. Também é uma alegria retornar ao Museu da República", destaca o idealizador. 

A principal atração desta edição é a exposição Retratos de um Brasil plural: origem, território e diversidade, que reúne 60 fotos escolhidas entre mais de 800 inscrições enviadas por artistas de todas as regiões do país. À frente da curadoria, a artista visual e pesquisadora Denise Camargo explica que o objetivo foi construir uma exposição capaz de representar a complexidade brasileira lançando luz sobre a sua própria história.

"A diversidade cultural brasileira é resultado de violento encontro entre colonizadores europeus com povos indígenas, originários e com povos africanos arrancados de suas nações para serem, aqui, escravizados. Por isso, procuramos, com esse tema, um modo de reafirmar essas raízes, mas também denunciar as contradições do país. O objetivo é entender que a  construção de uma sociedade mais justa deve estar atravessada pela valorização de suas origens, pelo enfrentamento das desigualdades e pelo respeito às múltiplas identidades", afirma.

Esse pensamento orientou todo o processo de seleção. Ao lado da curadora Maíra Gamarra e do escritor e editor Henri Badaröh, Denise conta que um dos maiores desafios foi escapar do olhar paternalista e da estetização da pobreza, que, por vezes, marcam a fotografia documental. "Nosso rigor na seleção buscou imagens nas quais os sujeitos fotografados não fossem meros objetos de estudo, mas agentes de sua própria narrativa. Priorizamos fotógrafos e fotógrafas que trabalham a partir do pertencimento."

Raoni Maddalena -
Márcio Vasconcelos -
Leonardo Nobre -
Maria Paula Vieira -
Júlia Pereira -
Rian Alves -
Olinda Tupinambá -
Ronaldo Cruz -

Entre todas as obras, há uma que ocupa um lugar especial na exposição. Logo na entrada, os visitantes são recebidos pela fotografia Presença de Exu do pernambucano Ronaldo Cruz: uma criança negra segurando, com naturalidade, um galo que fará parte de um ritual de tradição afro-brasileira. "Nessa imagem está tudo o que gostaríamos de dizer sobre origem, território e diversidade, porque rompe com muitos estereótipos, o que é necessário para podermos celebrar os muitos Brasis", afirma Denise.

A diversidade de narrativas se desdobra ao longo de toda a mostra. O visitante encontra o ensaio de Raoni Maddalena, dedicado aos catadores de materiais recicláveis, uma fotografia que retrata o beijo entre dois homens, aos olhos de Júlia Pereira, reafirmando a diversidade de afetos e identidades, e as manifestações da cultura popular registradas por Rian Alves.

A mostra reúne, ainda, o ensaio de Gsé Silva, realizado na periferia de São Paulo. Nas imagens, os corpos tatuados se tornam suporte para histórias de pertencimento, memória e resistência, ao lado de uma série de retratos que revelam diferentes rostos e experiências do país.

A abertura do festival também é marcada por uma projeção fotográfica mapeada na cúpula do Museu Nacional, transformando um dos ícones arquitetônicos de Brasília em uma enorme tela a céu aberto. Ao longo do mês, a programação inclui palestras, oficinas, encontros com autores e visitas guiadas, além de exposições de coletivos convidados, como o Jovem de Expressão, com a exposição Foto da quebrada: da periferia para o museu, e a Rede Katahirine, com a exposição O olhar do cinema para o território, formada por cineastas e fotógrafas indígenas. O evento conta com patrocínio da Neoenergia e do Instituto Neoenergia.

11º Festival Mês da Fotografia

  • Abertura amanhã, a partir das 18h, na Galeria Mezanino do Museu Nacional da República.
  • A exposição se estende até 4 de outubro,
  • de terça a domingo e feriados, das 9h
  • às 18h30. Entrada gratuita.

*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco

 

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