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Adriana Birolli estabele limites em 'Não!', monólogo que volta ao Teatro Unip

Entre o palco e a vida, a atriz Adriana Birolli aprende a dizer "Não!" e ilustra essa jornada em monólogo de sucesso que rodou o país, alcançou Portugal e retorna em cartaz, somente neste sábado (8/8), em duas sesseões, no Teatro Unip

Reconhecida por dar vida a personagens tão distintas quanto a calculista Isabel, de Viver a vida, e a doce Patrícia, de Fina estampa, Adriana Birolli volta a Brasília em um desafio bem diferente. Sozinha no palco, a atriz apresenta "Não! Uma comédia para quem tem dificuldade de dizer não", em cartaz no Teatro Unip, comente hoje, em sessões às 18h e às 20h. Em cartaz desde 2023, com apresentações em todo o país e até em Portugal, o espetáculo transforma em humor uma dificuldade que atravessa a rotina de milhões de pessoas: estabelecer limites e colocar as próprias necessidades em primeiro plano.

Com texto e direção de Diogo Camargos, o monólogo acompanha uma personagem que, justamente no dia do aniversário, enfrenta uma sequência de situações constrangedoras porque simplesmente não consegue negar pedidos, convites e exigências. O resultado é uma sucessão de cenas cômicas que desperta identificação imediata no público.
A ideia surgiu quando Adriana procurou Camargos em busca de um espetáculo que fosse, ao mesmo tempo, uma comédia e um texto atemporal. "Encomendei um texto que tivesse um tema relevante para os dias de hoje. Quando ele sugeriu falar sobre a dificuldade de dizer 'não', achei perfeito. Acho que ele escreveu pensando justamente na minha dificuldade", diverte-se a curitibana de 39 anos, que atuou, ainda, ans novelas Império e Totalmente demais, na TV Globo, e Jezabel e Belaventura, na RecordTv.

Histórias sem gênero definido

Embora a protagonista não represente especificamente o universo feminino, a atriz reconhece que emprestou muito de sua própria experiência para a construção da personagem. "Também trouxe histórias de homens e mulheres. Todos nós temos dificuldade de dizer 'não' em áreas diferentes da vida. Em algumas situações eu me reconhecia completamente; em outras, não", avisa a curitibana.
Mais do que um exercício de interpretação, o espetáculo acabou se tornando uma experiência de transformação pessoal. Adriana conta que, desde a estreia, passou a observar seus próprios limites com mais atenção. "Já consegui me libertar em vários aspectos da minha vida, mas é um aprendizado diário. Todos os dias surgem situações em que preciso escolher melhor os meus 'sins' e os meus 'nãos'", avalia.
Segundo ela, a incapacidade de impor limites costuma cobrar um preço alto. O desgaste emocional aparece entre as consequências mais frequentes, acompanhado pela sensação de fazer tudo pelos outros sem receber reconhecimento ou reciprocidade. "Vejo isso acontecer o tempo todo e também recebo muitos relatos do público", relata.
Essas histórias ganharam ainda mais profundidade à medida que psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde mental passaram a assistir ao espetáculo e utilizá-lo como ponto de partida para conversas sobre relacionamentos abusivos. Para Adriana, um dos relatos mais recorrentes envolve pessoas que conseguem finalmente estabelecer limites em relações amorosas, familiares ou de amizade.
"O mais difícil não é apenas aprender a dizer 'não'. É perceber como algumas relações mudam quando você deixa de estar sempre disponível. Muitas pessoas se afastam justamente porque estavam acostumadas apenas a usufruir da sua boa vontade. Essa descoberta pode ser dolorosa, mas também é libertadora", conta.
Marcos Duarte - Adriana Birolli, atriz

Sem estereótipos

A reflexão dialoga com uma trajetória artística construída pela versatilidade. Revelada nacionalmente na televisão, Adriana evita ser definida por um único perfil de personagem. Ela acredita que a mudança rápida entre papéis muito diferentes foi fundamental para impedir que ficasse presa ao estereótipo de vilã.
"Depois da Isabel, o Aguinaldo Silva me convidou para viver a Patrícia em Fina estampa, uma personagem completamente diferente e muito querida pelo público. Isso ajudou bastante para que eu não fosse vista apenas como intérprete de vilãs", relembra a atriz, que, ao olhar para trás, demonstra carinho pela própria carreira.
Rever novelas antigas, diz ela, é revisitar não apenas personagens, mas também memórias de bastidores. "Tenho muito orgulho da minha trajetória. Muitas vezes lembro exatamente como foi gravar determinada cena, das pessoas envolvidas e de todo o processo", conta.
Nos últimos anos, Adriana também ampliou sua atuação para os bastidores. Há 25 anos trabalha como produtora e, atualmente, assumiu a produção nacional e internacional do espetáculo. Sem patrocínio e sem equipes locais fixas, cada cidade representa um novo desafio.
"Cada praça tem uma cultura diferente, um comportamento diferente. É como começar um novo empreendimento toda semana. Produzir teatro exige muito trabalho, dedicação e coragem. Mas sinto que estamos vivendo um momento de recuperação importante para o teatro brasileiro", reflete a atriz e produtora.
Ao público que se reconhece na protagonista, Adriana não oferece fórmulas prontas, mas um caminho de reflexão. O primeiro passo, aconselha, é identificar os lugares onde a dificuldade de dizer "não" mais pesa na saúde mental e emocional.
A partir daí, estabelecer limites e, quando necessário, buscar ajuda profissional. Entre gargalhadas e situações absurdas, Não! propõe justamente isto: lembrar que, muitas vezes, uma palavra de apenas três letras pode representar o início de uma vida mais leve.
Nando Machado/Divulgação - Adriana Birolli traz o monólogo Não! a Brasília

Serviço

Não! Uma comédia para quem tem dificuldade de dizer não

Data: 8 de agosto (sábado)

Horários: 18h e 20h

Local: Teatro Unip

Classificação: 12 anos

Duração: 65 minutos

Ingressos: de R$ 50 a R$ 140, à venda pela Sympla e na bilheteria do teatro.

 


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