A trajetória de Mateus Zerbini Massa, o DJ e produtor paulista Zerb, de 28 anos, confunde-se com a própria expansão e consolidação da cena eletrônica no Brasil. Cercado por influências musicais em casa desde a infância, o interesse pelo gênero surgiu ainda na adolescência, impulsionado por um ambiente doméstico onde a música era presença constante e pela curiosidade em entender como as faixas eram produzidas. Hoje, ele colabora com os principais nomes da música internacional.
"Eu lembro muito no carro, quando viajava com meus pais e ficava escutando música. Na minha família, da parte de mãe, tenho tio que é DJ, meus primos sabem tocar. No Natal, lembro do meu tio tocando hip-hop clássico. Sempre tive essa questão com a música. Quando tinha 14 anos, um amigo meu falou que encontrou um programa que dava para fazer música. Baixei e nunca mais parei."
Antes de se consolidar nas picked-ups e softwares de produção, Zerb explorou diferentes vertentes e aprendeu a tocar múltiplos instrumentos, passando pelo violão, guitarra e bateria. A virada de chave no mercado profissional ocorreu entre o fim de 2014 e o início de 2015, quando entrou em contato com o DJ Vintage Culture e lançou um remix que conquistou pistas pelo país.
"Mandei uma mensagem para a página dele no Facebook da época: ‘Oi, tudo bem? Estou fazendo umas músicas’. Ele já tinha tocado uma música minha, respondeu na hora e a gente fez o remix de Fade. Estourou muito no Brasil, foi uma das primeiras que estava rodando o país inteiro. Foi um momento que virou a chave para mim e que mudou completamente a minha vida. Eu estava no terceiro ano do ensino médio, pensando em faculdade, e comecei a viajar o Brasil inteiro tocando com 17 anos”, relembra Zerb.
Entre obstáculos e esperança
O início precoce trouxe desafios operacionais e de maturidade em um período em que o mercado nacional para DJs ainda se estruturava. Para o produtor, o aprendizado ocorreu de forma direta na rotina de viagens e apresentações solitárias pelo país. "Acho que foi dentro de um momento que começou a crescer. Eu vi muito crescer. Ao mesmo tempo, muito novo, aprendendo sobre a vida, tinha 17 anos, viajando o Brasil sozinho na maioria das vezes para tocar em festa. Foi muito aprendizado de vida, tanto pessoal quanto de negócio e trabalho."
A busca por projeção internacional, no entanto, enfrentou obstáculos com a chegada da pandemia, em 2020. Com a interrupção de eventos, Zerb precisou diversificar suas atividades profissionais, atuando no mercado de design gráfico até que o sucesso global de uma nova produção, em 2023, o fizesse voltar com planos e sonhos adormecidos. "Queria ter uma carreira internacional, como brasileiro, é sempre difícil, porque estamos isolados do resto do mundo. O Brasil é muito grande, você consegue criar uma carreira de vida inteira só aqui”, destaca.
Analisando a capacidade de artistas eletrônicos brasileiros de realizarem turnês internacionais, mesmo mantendo bases regionais de seguidores, o produtor destaca características próprias do gênero, como a ausência de barreiras linguísticas e a flexibilidade logística de apresentações solo. "A música eletrônica é bem universal, não tem tanta barreira linguística porque pode ser 100% instrumental ou em inglês, então é mais fácil gerar conexão com o mundo. Ao mesmo tempo, é muito fácil para o DJ viajar sozinho, não é tão caro para um contratante comparado a uma banda. O Brasil é muito diversificado culturalmente, e ter sido exposto a tudo isso cria um negócio único que não tem no resto do mundo. Por isso os olhos do mundo estão muito nos DJs brasileiros”, ressalta Zerb.
Avaliando o próprio repertório, Zerb define suas composições como uma representação direta de sua trajetória pessoal e técnica no mercado musical. “Vejo a minha música como algo muito pessoal. Se você pega para escutar minhas músicas, desde lá de trás até agora, claramente consegue ver uma evolução pessoal e como artista”, completa. Ele, que tem trabalhado com nomes tão importantes, como Coldplay, Snoop Dogg e Swae Lee, divulga o recente trabalho em colaboração com o Khalid. A faixa Faded eyes, divulgada na última semana, é a síntese clara do momento vivido por Zerb até aqui: criatividade e arte, andando de mãos juntas. Assim, ele tem conquistado espaço no cenário internacional e feito amigos de profissão valiosos.
