MÚSICA

Ferrock reúne 10 bandas de rock com entrada gratuita em Ceilândia

O mais antigo festival do gênero do Distrito Federal toma conta de Ceilândia em celebração aos 40 anos do evento

Grupo Amados Mortos tocará na segunda-feira, 7 de setembro 
 -  (crédito: Divulgação)
Grupo Amados Mortos tocará na segunda-feira, 7 de setembro - (crédito: Divulgação)

Na Praça Ferrock, no Setor P Norte na Ceilândia, o domingo e o feriado serão dominados pelo festival mais antigo de rock do quadradinho. Das 10h às 20h, o Ferrock reunirá 10 bandas, além de DJS, com acesso gratuito para quem quiser curtir o rock na capital.

O trio mineiro Black Pantera é um dos destaques da cena do rock nacional que estará presente, além de nomes como O Dia D, Navelouca, Seconds of Noise e Amados Mortos (GO). Para fechar o domingo, haverá uma homenagem ao músico de Ceilândia, Célio de Moraes, o "Celião", ex-baixista de bandas como Terno Elétrico, Brazilian Blues Band, CCE, Moraes Brothers, Ira de Titãs e Os Merah.

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Silvio Magri, tecladista do grupo goiano Amados Mortos, fala sobre a história da banda e a importância da capital na história do rock.

Entrevista // Silvio Magri

Vocês são uma banda recente. Como surgiu a vontade de fazer música?

Os Amados Mortos surgiram em Goiânia, em 2024, a partir do encontro de músicos ligados à cena alternativa e aos eventos da Undergoth. A vontade inicial era transformar nossas referências e experiências em músicas autorais, falando sobre sentimentos como ausência, desejo, estranhamento, paixão e morte. O que começou como uma reunião de pessoas que gostavam de pós-punk e de sonoridades sombrias rapidamente ganhou identidade própria. Em pouco tempo, gravamos nossas músicas, produzimos videoclipes e lançamos nosso trabalho em CD e fita cassete. A banda ainda é recente, mas nasceu com muita vontade de produzir e de ocupar espaços.

O que define a identidade da banda? Por quais gêneros vocês gostam de passar?

Nossa identidade está na combinação entre uma atmosfera sombria e uma música que também convida ao movimento. Transitamos principalmente pelo pós-punk, darkwave e synthwave, mas incorporamos elementos do rock gótico, do punk e da música eletrônica. As linhas de baixo são muito importantes, assim como os sintetizadores, as guitarras, as programações e a alternância de vozes. Gostamos de unir melancolia, intensidade e energia. Mesmo quando tratamos de temas densos, procuramos criar músicas marcantes, com refrões e ritmos que permaneçam na memória.

Quarenta por cento do grupo é formado por pessoas neurodivergentes. Como é ser uma banda que abre espaço e contribui para uma cena mais inclusiva?

Para nós, a inclusão não é apenas um discurso ou uma bandeira externa à banda: ela faz parte da nossa própria formação e da maneira como convivemos e criamos. Ter pessoas neurodivergentes no grupo amplia nossa percepção, nossa sensibilidade e também nossas formas de fazer música. Isso exige diálogo, respeito aos limites individuais e compreensão de que as pessoas não precisam pensar, sentir ou se comunicar da mesma maneira para construírem algo juntas. A música pode ser um espaço muito poderoso de pertencimento. Por isso, consideramos importante mostrar que pessoas neurodivergentes podem estar no palco, nos processos criativos e em todos os espaços da cena cultural. Queremos contribuir para uma cena mais aberta às diferenças, não apenas em relação à neurodivergência, mas também às diversas identidades, trajetórias e maneiras de existir.

Ferrock é o festival mais antigo do gênero na capital. Qual é a sensação de estar presente nesse line-up?

Estar no Ferrock é uma honra e também uma conquista muito importante para os Amados Mortos. Estamos falando de um festival histórico, construído com resistência, continuidade e compromisso com a música independente. Para uma banda formada em 2024, participar desse line-up representa o reconhecimento de um trabalho que vem sendo desenvolvido com muita intensidade.Também sentimos uma grande responsabilidade. Não queremos apenas ocupar o palco, mas estar à altura da história do festival e do público que o acompanha. Dividir essa programação com artistas importantes, especialmente em uma edição que conta com o Black Pantera, aumenta ainda mais nossa expectativa. Será um daqueles momentos que ajudam a marcar a trajetória de uma banda.

O que vocês estão preparando para esse repertório? Qual é a relação do grupo com Brasília?

Estamos preparando um repertório concentrado e intenso, pensado especialmente para a energia de um festival. O público poderá conhecer músicas autorais que representam as diferentes faces dos Amados Mortos, passando por momentos mais dançantes, sombrios e pesados. Canções como Licantropia, Estranho, Renascida, Vênus, Loved Dead, Undergoth e uma versão darkwave de um cancioneiro brasileiro ajudam a apresentar bem esse universo. Queremos fazer um show direto, envolvente e com a força necessária para alcançar também quem estiver nos conhecendo naquele momento.Brasília ocupa um lugar muito importante na história do rock brasileiro e sempre foi uma referência para quem produz música independente no Centro-Oeste. Goiânia e Brasília possuem cenas muito fortes, com públicos que circulam, dialogam e mantêm viva a cultura alternativa. Estar no Ferrock é uma oportunidade de estreitar essa relação, apresentar nosso trabalho ao público brasiliense e construir uma conexão que esperamos levar para muitos outros encontros.

 


Importância para a capital

O produtor do festival, Fernando Benício, acredita que o festival fez com que um portal se abrisse para que as pessoas enxergassem o tamanho das regiões administrativas na parte cultural, econômica e organizacional. “ As pessoas que não conheciam as periferias passaram a frequentar esses locais. A Ceilândia por exemplo: era conhecida como a cidade mais violenta do DF, e nós por meio da arte, educação e cultura conseguimos desmistificar esse pensamento tão violento contra a nossa região”, destaca.

Para ele, o evento conseguiu reivindicar e construir junto com o poder público a transformação de alguns espaços. “Reivindicamos a construção da escola de ensino médio CEM 12, fizemos um festival Ferrock na QNP 11 do Setor P-Norte para acabar com um lixão que estava na erosão do mesmo espaço. Fizemos o projeto da Praça Ferrock, corremos atrás dos parlamentares para destinar as emendas necessárias para a construção. Hoje, temos uma Praça com o nome de "Praça Ferrock" em homenagem a nossa luta”, conta Fernando.

Em celebração aos 40 anos, o produtor acredita que a longevidade se dá pelo projeto ser totalmente social e resiste por conta dessa bandeira. Para ele, o grande diferencial dessa edição é a homenagem a Célio de Moraes, além da banda de renome Black Pantera. “Não tirando o protagonismo das demais bandas, na qual sempre priorizamos as bandas locais.
Será uma grande celebração neste feriadão. Contamos com a presença de todos”, destaca.

 

  • Black Pantera, de Minas Gerais, é um dos destaques da programação
    Black Pantera, de Minas Gerais, é um dos destaques da programação Foto: Hugo de Brito/Divulgação
  • Grupo Amados Mortos tocará na segunda-feira, 7 de setembro
    Grupo Amados Mortos tocará na segunda-feira, 7 de setembro Foto: Divulgação
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postado em 05/09/2026 05:04
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