
No pré-lançamento do filme Geração Cabeças ("um resumão de tudo que aconteceu ali dos anos 1970 até os anos 1990, com uma geração"), na 508 Sul, em 2023, o cineasta e pesquisador Moacir Macedo registrou, em série de fotos, uma presença ilustre: o cineasta e professor Vladimir Carvalho.
É nesse clima, informal da importância que Vladimir dava para a relação com os acontecimentos da capital e "com as pessoas com quem ele convivia; com os amigos, os alunos", que Moacir determinou o conteúdo do longa Adeus, Brasília (a ser exibido hoje, às 11h, na sala do Cine Brasília (EQS 106/107) que leva justo o nome de Vladimir, morto em outubro de 2024, e cujo velório está registrado no local (e no filme), que acolhe homenagens recebidas. "Registramos o momento do cordel improvisado lá naquela hora", conta Moacir.
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Numa convivência de 50 anos, Moacir, ainda adolescente, passou a acompanhar a obra do mestre, por décadas. "O filme traz a trajetória dele, a partir de entrevista dentro do Cinememória (703 Sul e que terá por destino a Casa da América Latina), na qual exploramos aspectos gerais do acervo dele, como ele foi formado... São muitos filmes, livros, fitas, jornais, muito material ainda por se dar a conhecer. Nos interessava investigar a relação do Vladimir com a cidade de Brasília. Existe sempre uma visão do Vladimir como cineasta nordestino que gravou o clássico O país de São Saruê e que integrou a equipe do Aruanda, no começo do Cinema Novo. Mas a obra dele, em Brasília, fica meio de lado", opina o diretor nascido em Minas Gerais, mas criado em Brasília.
"Nos interessava explorar um pouco mais da vinda do Vladimir para Brasília. Como é que se deu isso em relação ao Festival de Cinema, quando ele trouxe para cá o filme A bolandeira (1969). E, a pedido do Fernando Duarte, ele fica e se transforma em professor do do curso de cinema da UNB — curso que não existia mais. Ele conta um pouco dessa trajetória de remontagem do curso, da responsabilidade, do clima político que existia na época da ditadura com relação a um curso de cinema", observa Moacir Macedo.
Para aplacar a expectativa de um futuro filme póstumo de Vladimir Carvalho, em andamento, o documentário já retrabalha dados pessoais e as perspectivas de Vladimir, sobre obras que tratam de Brasília, como Conterrâneos velhos de guerra, Barra 68, Rock Brasília — Rock Brasília era de ouro, Vestibular 70 e o Evangelho segundo Teotônio.
"Aparecem no filme ainda as referências históricas que existiam no entorno da capital. Vladimir fala do sotaque brasiliense, das influências barrocas que nos rodeiam em Goiás Velho, em Pirenópolis. Vladimir conta um pouquinho sobre a formação da Associação Brasileira de Documentaristas (futura ABCV). Ele gostava muito de assistir aos discursos no Congresso Nacional, e, nessa, acabou fazendo o filme Evangelho segundo Teotônio Vilela, por exemplo", adianta o realizador. No cômputo, ele diz ter perseguido o espírito de Vladimir, movido ao sentimento de se ver como um cidadão brasiliense, em seus 50 anos de vida em Brasília.
Diversão e Arte
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