
Na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um ciclo se encerra. Desde 2024, a realização do festival tem sido feita por meio de um planejamento trienal com uma parceria entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (SECEC-DF) e o Instituto Alvorada Brasil para garantir continuidade.
Sara Rocha, diretora geral do festival, havia participado de outras edições antes do triênio. "Esse último triênio foi muito importante, foi a primeira experiência que o Festival de Brasília teve com uma previsibilidade e uma continuidade sedimentadas. Teve uma vinculação importante com o poder público", comenta Sara."É fundamental que um evento dessa projeção, que é um patrimônio do Brasil, efetivo e simbólico, possa ter as condições adequadas para que ele tenha o seu planejamento, a sua preparação, a sua captação de recursos complementares, que desemboca nesse grande evento para o cinema brasileiro", ressalta.
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Na edição deste ano, Sara acredita que o sucesso veio derivado ao processo de previsibilidade ligado à parceria de três anos. "A gente conseguiu abrir a inscrição de filmes de forma ainda mais antecipada, permitindo que seleção e a direção artística tivessem um tempo adequado de formatação das obras. Foram mais duas mil inscrições", comenta. Além disso, o festival trouxe a exibição de uma série pela primeira vez com Delegado, dirigida por Leo Lacca e Marcelo Lordello, e produzida por Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho.
O futuro do Festival de Brasília, para Sara Rocha, é inevitável. "Ele precisa seguir acontecendo. Ele foi resiliente a muitos períodos sócio-políticos delicados e resistiu. Eu olho para o futuro do Festival como algo inevitável, incontornável e absolutamente essencial. Ele precisa, de fato, seguir cada vez mais forte, mais qualificado, com mais cursos, com mais antecedência, com mais previsibilidade", afirma a diretora geral.
Eduardo Valente, diretor criativo do Festival de Brasília, destaca que o esforço para a criação das edições é manter a tradição das origens do festival. "Trazer essa coisa de um cinema que fale dos temas do Brasil, dos temas da sociedade, da política, da cultura brasileira, que tragam formas cinematográficas ousadas", destaca.
Com a finalização do triênio, Eduardo ressalta que o ponto mais importante é a sensação de que tudo foi bem realizado. "O principal ponto é a gente sentir que foi um festival feito da maneira precisa, sem problemas, seja de estrutura, seja de projeção. Todos agradeceram muito, não só cineastas, mas o pessoal trabalhando, participando de várias outras partes
O diretor criativo acredita que a força da população do Distrito Federal também impactou na realização da 59ª edição. "Uma movimentação não só do setor audiovisual e da população do Distrito Federal da possibilidade do festival não acontecer como algo muito indesejável. Isso acabou criando um movimento muito favorável de reforçar a importância que o festival tem para o cinema brasileiro", afirma.
Eduardo Valente reforça que um dos maiores problemas para a longevidade do festival é a conexão direta entre a situação política e o acontecimento do evento cultural. "Isso dificulta muito um certo trabalho de continuidade, que é parte essencial do seu sucesso. Brasília fica dependendo desses ventos que vão e vêm, não é o ideal pro próprio festival", destaca. O diretor criativo ressalta que a equipe que tomou conta desses três anos estará à disposição e torcendo para que o futuro seja digno, como o Festival de Brasília merece.
*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
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