
Ao longo de mais de duas décadas de carreira, André Dias construiu uma trajetória marcada pela capacidade de transitar entre universos distintos, tanto na televisão quanto no teatro musical. Em poucas semanas, essa versatilidade ganhou um novo exemplo: depois de viver Dionísio, o deus do teatro, em Espelho Mágico, musical criado em homenagem aos 60 anos da TV Globo, André voltou ao palco para interpretar Harry Bright, em Mamma mia!.
A mudança entre personagens tão diferentes não assusta o ator. Pelo contrário. André conta que já foi chamado diversas vezes de “camaleão” justamente por investir na transformação de seus personagens, inclusive por meio do visagismo.
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“Já fui chamado de camaleão muitas vezes porque gosto de trabalhar a versatilidade não só na composição, mas também no visagismo dos personagens. Confesso que me dedico a isso e gosto do exercício de viver figuras diversas num curto espaço de tempo. Isso enriquece o ator”, afirma o artista.
Para ele, a chave para transitar entre personagens está no desprendimento. André acredita que o ator precisa estar disposto a deixar de lado a própria identidade para permitir que a figura criada em cena ganhe vida. “Costumo dizer que a minha aparência não pertence a mim e sim aos meus personagens. Acredito que todos os atores se sintam assim”, explica.
Depois de encerrar a temporada de Espelho Mágico, André retornou ao Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, para uma nova temporada de Mamma mia!, superprodução dirigida por Charles Möeller e Claudio Botelho. Na montagem, ele vive novamente Harry Bright, personagem que já faz parte de sua trajetória.
A experiência, desta vez, ganha um significado especial por permitir que o ator aprofunde sua composição ao longo de três temporadas consecutivas. Inspirado nas canções do grupo sueco ABBA, Mamma mia! combina música, humor e relações familiares — elementos que, segundo André, também contribuíram para criar uma forte conexão entre o elenco. “É um grande privilégio poder aprofundar a composição de um personagem durante três temporadas consecutivas. Cada dia é um novo aprendizado e cada ano que passa o espetáculo amadurece sem perder o seu frescor”, diz.
Mais do que uma produção de sucesso, o espetáculo também se transformou em um espaço de afeto para os artistas. “É uma peça que fala sobre a família e um elenco que se transformou numa verdadeira família desde a primeira temporada, há três anos. Estamos cada vez melhores… só venham!”, brinca.
A relação de André com personagens marcantes, no entanto, vai muito além de Mamma mia!. No teatro, ele aponta Avenida Q, de 2009, e Kafka e a Boneca Viajante, de 2023, como trabalhos especialmente importantes em sua trajetória. São experiências que ajudam a dimensionar a diversidade de sua carreira e a maneira como o ator encara diferentes desafios de interpretação.
Composição para a tevê
Na televisão, um dos trabalhos que mais contribuíram para ampliar seu reconhecimento foi Segundo sol, novela das nove da TV Globo, na qual interpretou Groa, melhor amigo da personagem de Giovanna Antonelli. Para André, a experiência foi determinante não apenas pelo alcance da produção, mas também pelo ambiente criado dentro e fora das telas.
“Certamente a parceria com Giovanna Antonelli numa novela das nove foi uma experiência que me projetou muito como ator. O astral dessa novela foi incrível dentro e fora das telas e isso, sim, é receita de sucesso!”, afirma.
Com uma carreira construída entre o teatro, a televisão e os grandes musicais, André Dias vive atualmente uma fase em que a experiência acumulada se encontra com novos desejos profissionais. E, embora esteja mergulhado novamente no universo de Mamma mia!, o ator já sabe qual é o próximo desafio que gostaria de encarar. “Gostaria de fazer um trabalho de composição para a tevê. Pronto! Lancei pro Universo!”, revela, com bom humor.
Diversão e Arte
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