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João Fontenele define nordestinos na tevê aberta como "um lugar de esperança"

Cearense João Fontenele fala da responsabilidade de representar o Nordeste em "A nobreza do amor"

João Fontenele, ator -  (crédito: Fábio Audi)
João Fontenele, ator - (crédito: Fábio Audi)

Ele veio do interior do Ceará, formou-se no teatro e no cinema independente, dirigiu curtas premiados e, hoje, ocupa um espaço que, para muitos, parecia impossível. Aos 34 anos, o ator, diretor, produtor e roteirista graduado em comunicação social João Fontenele vive um momento de expansão em sua carreira. Na televisão, interpreta o vilão Sebastião em A nobreza do amor, novela das 18h da TV Globo, e integrou o elenco de Guerreiros do Sol, no Globoplay, como Arigó. 

Na novela das seis, Sebastião é tido como vilão. Mas, para João Fontenele, a definição é mais complexa. "Acho que ele é um homem que a obsessão corrompeu, porque ele não liga tanto para o poder; tudo é em função do amor por Virgínia, explica o ator. Sebastião quase não tem vaidade. Ele tem uma necessidade louca da aprovação dela", afirma.

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O personagem, vereador e advogado, ama Virginia sem interesse no banco do pai dela ou por posição social. "Ele é um apaixonado fiel, que só tem olhos para ela", diz. Ainda assim, como político, naturalizou situações questionáveis. "Ele sabe que o entreposto de querosene do prefeito é algo errado, pois faz com que a cidade não tenha energia elétrica, mas ele não intervém nem entra em embate sobre o assunto", completa.

O desafio da obra aberta

Diferente de sua experiência em Guerreiros do Sol, obra fechada na qual já conhecia todo o arco do personagem, em A nobreza do amor, João vive a imprevisibilidade da novela aberta. "A experiência está sendo a melhor possível, porque percebo uma boa evolução dele na trama, o que me parece um bom resultado da minha desenvoltura no personagem e da aceitação por parte do público, assim como dos autores e da equipe de direção, afirma. Quando o resultado é bom, é gostoso viver essa experiência na obra aberta. Estou muito feliz e grato", relata o filho ilustre de Acaraú (CE).

Para ele, a novela das seis tem um público fiel. Está sendo uma experiência de interação maior do que foi fazer parte de um projeto no streaming, compara. "Eu amo essa oportunidade de compreender o personagem enquanto ele se desenvolve, podendo ajustar no decorrer da novela", defende João.

João Fontenele, ator
João Fontenele, ator (foto: Fábio Audi)

Sobre a reação do público ao Sebastião, João conta que sente reações bem carinhosas. "Apesar da vilania existente no Sebastião, ele tem um pouco de humor e leveza, uma quase inocência que faz o público se compadecer um pouco. Acho que sentem um misto de raiva e pena dele", observa. "Acho o tipo de vilania empregada ao Sebastião superinteressante e estou muito satisfeito com a forma como os roteiristas vêm desenvolvendo a história dele", acrescenta.

Questionado se sente o lugar que ocupa no horário nobre como uma responsabilidade coletiva, João é enfático. "Acho que é uma responsabilidade no sentido de ocupar um espaço antes entendido como impossível. Por vir do interior do Ceará, não vi tantos exemplos que me fizessem acreditar que era possível", revela o artista. "Estou em uma época em que a mudança é perceptível, em que outros atores nordestinos estão ocupando esses lugares. Espero que o fato de eu estar aqui seja uma esperança para outros artistas do interior do Brasil", reflete. 

Do outro lado da câmera

No cinema, João acumula trabalhos em filmes como Cabeça de Nêgo, de Deo Cardoso; Baião de Dois, de Allan Deberton; e Fortaleza Hotel, de Armando Praça. Paralelamente à atuação, construiu uma carreira sólida como realizador de curtas-metragens. Dirigiu e roteirizou obras como Quentinha (2022), Raposa (2024) e Peixe morto (2025), esta última vencedora do Prêmio Canal Brasil de Curtas em 2025 e finalista do Prêmio Grande Otelo.

Para o realizador, a validação traz um respeito e uma credibilidade como um artista que se articula para criar oportunidades, e que se esforça para mostrar seu trabalho. "Meus curtas precisaram de criatividade para chamar atenção, por serem feitos com poucos recursos. Tenho muito orgulho dos curtas que realizei, e foi neles que pude me experimentar, usar muito do que venho estudando como ator, além do que carrego da minha formação em comunicação social, da minha vivência como alguém pertencente a uma cultura que admiro tanto, que é a do interior do Ceará", pondera.

Sobre a convivência entre o João diretor e o João ator no set da novela, ele diz que o olhar fica mais apurado, assim como o entendimento sobre o set, sobre como se posicionar diante da câmera e como se relacionar da melhor forma no trabalho em equipe. "Respeitando as funções e organizando, em conjunto, em prol da melhor forma de desenvolver a trama", conclui.

Além da novela, João Fontenele está em processo de criação de seu primeiro monólogo autoral, Não vamos falar de amor, uma obra que nasce do diálogo entre teatro, música e performance, com estreia prevista para 2027. 

 

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postado em 28/09/2026 18:30
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