Curiosidade

'Dark horse': de George Harrison e Katy Perry ao filme de Bolsonaro

Muito antes de se tornar uma produção audiovisual no Brasil, o termo em inglês já deu nome a obras que marcaram períodos bem diferentes do mundo da música

Antes de cinebiografia investigada, Dark Horse já foi título de músicas de George Harrison e Katy Perry -  (crédito: Divulgação)
Antes de cinebiografia investigada, Dark Horse já foi título de músicas de George Harrison e Katy Perry - (crédito: Divulgação)

Antes de se tornar uma produção audiovisual brasileira, o nome “dark horse” - cavalo negro, em inglês - já era bem conhecido pelo público. Tanto que o termo, que significa azar ou “pé frio”, está presente no fracasso de crítica de um ex-beatle e no auge de uma diva pop. 

O ano era 1974 e o guitarrista George Harrison lançava o terceiro álbum desde o fim dos Beatles. Dark horse, como o nome diz, mostra o autor de hits como Something e My sweet lord atravessando uma maré de azar. “Eu sou cavalo negro correndo o caminho de um cavalo negro. Eu sou uma lua triste desde que nasci”, canta na faixa título.

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O casamento com a ex-modelo Patti Boyd estava em ruínas, graças a casos extraconjugais de ambos os lados. Enquanto isso, o ex-beatle se afastava da fase hindu que marcou o início da carreira solo e se afundava nas drogas e no álcool. Para piorar, o ano de 1974 também marcou o fim do processo judicial que encerrou oficialmente as atividades dos Beatles.

Os excessos fizeram com que a voz de Harrison surgisse fraca e desafinada ao longo das dez faixas de Dark horse. A crítica não perdoou e choveram reações negativas sobre o álbum. A revista Rolling Stone chegou a classificar a obra como "medíocre" e “ um desastre”.

Nem uma turnê pelos Estados Unidos amenizou o clima ruim que cercava a carreira de George Harrison naquele momento. A falta de clássicos dos Beatles nos setlists dos shows e as sessões extensas de música indiana - cortesia do amigo de longa data, Ravi Shankar - renderam ainda mais reações negativas.

Azar no rock, sorte no pop

Se para George Harrison, o nome Dark horse virou sinônimo de frustração nos anos 1970, para a cantora Katy Perry o cenário não poderia ter sido mais diferente. Em 2013, a norte-americana se preparava para o quarto álbum da carreira, Prism, e vinha de uma maré de sucesso no início daquela década. Dark Horse foi um dos três singles lançados antes do álbum e rapidamente chegou ao topo das paradas.

Bem diferente da canção de Harrison, a faixa de Katy Perry utiliza referências místicas para falar sobre uma paixão que se assemelha a uma tempestade. “Então você quer brincar com mágica? Rapaz, você deveria saber no que está se metendo. Meu bem, você se atreve? Porque eu estou indo até você como um cavalo negro”, canta.

Com participação especial do rapper Juicy J, a canção entrega um dos trechos mais curiosos da discografia de Katy Perry, com referência a um famoso serial killer. “Eu chamo ela de karma. Ela vai devorar seu coração igual o Jeffrey Dahmer”, diz a música.

O fato é que Dark horse fez um enorme sucesso e chegou a ser uma das faixas mais baixadas de 2014. Em 2015, o clipe oficial já era o primeiro vídeo de uma artista a alcançar a marca de 1 bilhão de visualizações, figurando no top 3 no ranking geral do Youtube naquele ano.

No entanto, o hit também não escapou de polêmicas. Comunidades mulçumanas ao redor do mundo criticaram o clipe pela apropriação de referências do islamismo consideradas ofensivas. 

E no cinema?

Bem antes de ser associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao escândalo do Banco Master, o título Dark horse também já havia aparecido nas telas de cinema. Em 1932, um filme de mesmo nome foi lançado nos Estados Unidos, com direção de Alfred E. Green.

Apesar de se tratar de uma comédia, a trama não passa longe de temas políticos comuns ao público brasileiro. No filme, um candidato azarão é escolhido para concorrer ao cargo de governador pelo Partido Democrata. Para isso, um assessor de campanha controverso é escolhido. O problema é que, antes de iniciar os trabalhos, os democratas têm de tirar o marketeiro Hal Blake da cadeia, onde está preso por não pagar pensão alimentícia.

Estrelado por Bette Davis e Warren William, Dark horse aborda questões como divórcio, difamação e demais tramóias que circulam uma campanha política.

No Brasil, o termo Dark horse ficou associado à cinebiografia do ex-presidente e líder da extrema direita Jair Bolsonaro (PL). Meses antes das eleições presidenciais de 2026, o filme figurou no epicentro do escândalo do Banco Master, com suspeitas de financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A produção também é investigada por desvios de recursos públicos.

 

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postado em 28/09/2026 18:27 / atualizado em 28/09/2026 18:28
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