
Com uma história enraizada em Roma e que se espalha por Trieste e Florença, Tempo primo, segundo romance da italiana Chiara Gentile, traz uma história comovente e, ao mesmo tempo, assustadora e explora os meandros da perda e da afetividade. Com lançamento hoje, às 18h30, na Livraria Platô, o livro nasceu de uma história que a autora ouviu e que deixou maturar até sentar para escrever.
Nascida em Roma e radicada em Brasília há 15 anos, onde desembarcou para fazer um doutorado em desenvolvimento sustentável e acabou se enraizando, Chiara conta que, há muitos anos, ouviu a história de um músico que, após um AVC, acordou incapaz de tocar seu instrumento e compreender as notações musicais.
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"Fiquei muito chocada, porque era um acontecimento cuja consequência era justamente perder a possibilidade de fazer o que é a vida dessa pessoa e pensei: que ironia terrível do destino acordar e recuperar todas as faculdades, menos a que é a razão da sua vida", conta.
Em Tempo primo, Chiara conta a história de Eloisa, uma professora universitária de um curso de letras e literatura que sofre um AVC em sala de aula e, quando acorda, não sabe mais ler nem escrever. Eloisa vai precisar reaprender a viver e, nessa jornada, terá que construir novas redes de afetos.
A história envolve perdas, mas também há ganhos em uma trajetória na qual a reconstrução será vital. "É um livro luminoso", garante Chiara.
Tão importante quanto a experiência de Eloisa é a presença de Roma como, praticamente, uma personagem da história. Falar sobre a cidade natal foi importante para a autora que, por estar no Brasil há muito tempo, fez da capital italiana uma referência distante. Filha de uma restauradora de arte natural de Roma, Chiara cresceu rodeada de história da arte e música clássica, por isso o livro é também uma maneira de celebrar essas heranças. Ela incluiu também Florença e Trieste.
"Claro, tem a questão de morar longe desses lugares, que são lugares da alma e do físico. E essa nostalgia faz com que a história de Eloisa, os lugares que ela percorre e que habitam meu passado cheguem mais forte para mim, em Brasília. Estou mergulhada 100% em Brasília, enquanto a vida de Eloise e Roma estão longe. E isso sedimentou, é um sedimento que constrói história. É minha vida antes do Brasil", explica.
Diversão e Arte
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