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Brasília recebe grande celebração do samba

Com direção de Preto da Serrinha, Jorge Aragão, Alcione e Zeca Pagodinho trazem um repertório de sucessos para o Na Praia Parque

Jorge Aragão, Alcione e Zeca Pagodinho -  (crédito: crédito: @bmaisca)
Jorge Aragão, Alcione e Zeca Pagodinho - (crédito: crédito: @bmaisca)

Com muito amor ao ofício e um conjunto de canções que ecoaram por todo o país, o grande trio do samba se junta nos palcos com a turnê O maior encontro do samba, realizado por Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão. O show, no Na Praia Parque, reúne os hits repertório de cada um em uma ode ao samba, que não pode morrer. Com direção musical de Pretinho da Serrinha, o espetáculo reunirá, pela primeira vez, os três artistas no palco ao mesmo tempo e em uma só turnê. Os ícones do samba dividirão os vocais em canções que marcaram suas trajetórias e em clássicos presentes durante várias gerações, em uma celebração coletiva da música brasileira. O projeto passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo e, depois da capital, segue para Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador. Em entrevista, Jorge Aragão fala sobre a amizade entre os três, as novas gerações do samba e o amor que se mantém em suas canções.

Como é a sua relação com Alcione e Zeca? Como vocês querem passar essa convivência, amizade e carinho pros palcos?

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Então é tão fácil, tão simples isso. A Alcione é uma irmã, uma pessoa da família.  Vamos ao Zeca, embora seja mais velho um pouquinho, nós viemos da mesma quinta série. A gente é assim: se a gente não se aperrear um ao outro, não somos nós dois. Se a gente não duvidar de cada um, não mexer um com o outro, não querer saber por que fez isso ou aquilo, não somos nós. Eu estou muito, muito em casa. Estou feliz. É buscar entender isso que é tão natural para a gente do dia a dia e que hoje tem o nome de Maior Encontro do Samba.

Vocês três têm repertórios vastos e com grandes sucessos. Como que foi para vocês organizar isso do que ia entrar para o show? Quais eram os pontos importantes?

A gente tem uma produção com várias pessoas trabalhando nisso, sob o comando do Pretinho da Serrinha, para organizar esse nosso baú musical, digamos assim, e ele está fazendo isso com muita competência. A gente tem muitas músicas para colocar e registrar. Hoje, todo mundo conversa, fala a mesma língua e procura deixar enxuto, além de transmitir para as pessoas no palco essa alegria. Fazer um estádio cantar todas as músicas, na maioria autorais, é o diferencial. Ter uma representatividade maior do samba como a Alcione é uma tarefa difícil. O valor autoral é ainda maior. Tem muito mais músicas que o Zeca fez durante a carreira, a Alcione sendo a representação desses autores, e eu cantando músicas de duas a três gerações comigo. Isso é um prêmio para tudo que conquistamos até hoje na vida.

Como você percebe isso de cantar para uma nova geração e para novos públicos?

Vocês novinhos estão cantando, estão com os sentimentos e relações de vocês do mesmo jeito que éramos nós, cascudos. Na essência, o amor e a relação não mudaram nada; os valores é que, às vezes, se movem. Tem gente que imagina a vida a dois como algo diferente do que se vive hoje, mas eu e os meus iguais já vivemos isso. O engraçado é saber que você está cantando a mesma coisa que eu cantei há 50 anos; parece que nada mudou. Acho até over falar "o maior encontro do samba", porque é algo tão orgânico e natural, apenas um resumo da nossa vida.

Você acha que os cantores atuais conseguem passar esses sentimentos num momento em que está tudo muito rápido, as músicas também passam velozmente. Você acha que ainda têm o peso lírico?

Eu queria muito responder isso para você, mas eu escrevi coisas numa época em que não havia celular nem computador. Parece que fiz algo jurássico. O que estão cantando hoje eu já não consigo mais alcançar. Não sei se quem trabalha no Instagram ou TikTok se preocupa da mesma forma que eu me preocupava em ouvir letra e música. Eu comprava um LP com 12 faixas; hoje, as pessoas têm a facilidade de gravar duas músicas para colocar na rua, o mercado é bem mais competitivo. No início da minha carreira, eu competia com meia dúzia ou dez autores; hoje, os autores competem com o mundo inteiro. Mas sei que a emoção das pessoas ao cantar uma música minha é a mesma de quando eu a compus. A comunicação hoje é muito mais poderosa, mas me sinto um autor mais completo do que quem está competindo hoje.

Você imagina que sua carreira seria tudo que ela é hoje?

Eu nunca imaginei que duraria tanto tempo aquilo que eu estava fazendo. Como compositor, sou chato e exigente pra caramba com a melodia e a letra, tentando fazer a música se completar 100%. Harmonicamente tem que emocionar e casar com uma letra que mexa comigo. Por isso, é difícil para mim imaginar que "vai dar certo ou ser sucesso". Não conseguia ver isso

Qual sua relação com Brasília?

Já me sinto de casa. Eu chamo Brasília de decolar de sonhos. Quando olho de um lugar alto, parece um pescoço iluminado. Tenho muitos amigos e história com Brasília e com o grupo Coisa Nossa, com o Evandro e com o Marcelo. Tem história de músicas que gosto, como o Canto Sete, Amor na Chuva, e a história do Zé de Sobradinho. Hoje tenho ainda mais amizades do que no passado. Cantar em Brasília, para mim, é voltar para casa.

 

O maior encontro do samba

Hoje, a partir das 20h, no Na Praia Parque (St. de Clubes Esportivo Sul, trecho 2). Ingressos a partir de R$ 177,50 taxa da Eventim.

 


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postado em 03/10/2026 05:01 / atualizado em 03/10/2026 08:20
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