
Em um universo no qual o amor pode se confundir com controle, e a verdade esconder tantas camadas quanto uma mentira bem contada, basta uma promessa para mudar o destino de duas famílias. Essa é a premissa de Dom de iludir, novo melodrama da Netflix que acompanha Lúcia Rossetti (Marieta Severo), uma rica colecionadora de obras de arte disposta a tudo para encontrar a cura para a doença misteriosa da filha, Maíra (Alice Wegmann). Desesperada, ela recorre a Irina (Nanda Costta), uma terapeuta espiritual que promete ajudá-la, mas esconde intenções pouco nobres. O que começa como uma busca por esperança logo se transforma em um jogo de manipulações, golpes e segredos, em que as fronteiras entre vítimas e vilões se tornam cada vez mais nebulosas.
- Leia também: Netflix: veja 5 filmes e séries que estreiam nesta semana, de 26 de outubro a 1º de novembro
No centro da narrativa, estão os Rossetti, representados por Lúcia e Maíra, e os Petrov, grupo familiar de Irina, que tem como patriarca Bóris (José de Abreu). "Fala-se muito em família como escudo, amor ou motivo de orgulho, mas é um tema que envolve muita coisa, tanto valores incríveis quanto valores bastante questionáveis, e até mesmo opressão. E isso é algo que molda profundamente qualquer pessoa", opina Mauro Mendonça Filho, diretor da produção nacional.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Alice Wegmann aponta que, apesar das diferenças socioeconômicas entre as famílias — as milionárias Rossetti moram em uma mansão em Ipanema, enquanto os Petrov dividem uma casa simples na Ilha do Governador —, os dois lados dividem muitas semelhanças. "Eu acho que, por exemplo, a Maíra e a Irina se encontram por terem duas figuras autoritárias em cima delas, a Lúcia e o Bóris. Isso causa uma ferida nas duas, e elas acabam se achando nesse lugar da vulnerabilidade, que, talvez, é quase um ímã para as duas", avalia a atriz.
De um lado, Maíra é atravessada pela mãe em diversos âmbitos da vida (no primeiro episódio, Lúcia induz o noivo da filha a terminar o relacionamento, por exemplo), enquanto a matriarca acredita estar fazendo o melhor para a personagem de Alice. Entre os Petrov, a dinâmica com Irina e Bóris é semelhante, mas vai além, com agressões físicas recorrentes. "Apesar das diferenças de classe social e criação, são relações simbióticas nos dois casos. Acho que muita gente vai se identificar, não só no lugar da toxicidade, mas também dos vínculos humanos, que são complexos, com lado bom e ruim. São histórias familiares que eu acredito serem próximas de muita gente", aposta a protagonista.
Quem tem o dom de iludir?
Já no primeiro episódio, é revelado, tanto para o público quanto para os personagens, que Irina é uma farsista. Para quem conhece o caso, a trama lembra a história de Sabine Coll Boghici, acusada de dar um golpe financeiro contra a própria mãe, Geneviève, viúva do romeno Jean Boghici, um dos maiores colecionadores de arte do Brasil. O esquema milionário envolveu uma suposta cartomante, que se dizia mãe de santo, e incluiu a venda de quadros de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti. O prejuízo foi estimado em R$ 725 milhões.
Mauro revela que, em meio aos diversos plot twists da série, também precisou iludir o próprio espectador. "A gente cria elementos que façam as pessoas simpatizarem emocionalmente com aquela situação. Eu queria que a Maíra, por exemplo, parecesse estar péssima", revela o diretor. A personagem, porém, que parece ingênua e, de certa forma, infantilizada à primeira vista, mostra-se muito inteligente, como descreve Nanda Costta. "Eu ficava pensando como a gente ia enganar essa menina, que é esperta demais. A Alice traz uma sagacidade a ela que não dá para ser só uma piscadinha e pronto, enganamos a garota", afirma a atriz.
Marieta Severo, por outro lado, garante: "Nanda foi brilhante em iludir. A Lúcia acredita completamente nesse golpe e faz tudo o que ela quer, até um certo momento", adianta. Para Mauro, investir no tema da espiritualidade foi essencial para a construção do seriado. "Somos o país mais místico do mundo", declara o diretor. "E foi muito bom trazer esse assunto para a série. Muitas pessoas têm usado da fé para criar situações que não são verdadeiras, então foi muito oportuno", complementa a veterana na dramaturgia.
Apostando no melodrama, a série chega a ser quase como uma versão reduzida de uma novela das 21h. "A gente sabe fazer isso, o drama, o melodrama ou qualquer coisa nesse sentido. Somos craques. Então, é natural que a gente também faça em um formato de dois, 10, 20, 30, 40 ou 50 episódios", defende a atriz. "Na série, as coisas vão acontecendo de uma forma que uma pessoa que parece ser de um jeito se torna de outro. Você empatiza com um personagem, e ele acaba tomando outro rumo. Isso ao longo de 10 capítulos, ou seja, é uma montanha-russa", promete Mauro.
Alice define a série como "viciante", e é verdade — todo fim de capítulo deixa no ar o gancho para o próximo. "É para maratonar. Você termina o primeiro episódio, e não tem como não começar o segundo", antecipa a atriz.
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte