
Com a ideia de que os textos de Bertold Brecht podem muito bem dialogar com as crianças, a companhia amazonense Buía Teatro traz para o palco da Caixa Cultural o espetáculo Bertoldo, o tubarão que queria ser gente, em cartaz nesta sexta-feira (13/2), às 19h. A montagem nasceu de uma residência durante a qual os integrantes da companhia pesquisaram possibilidades de textos cuja dramaturgia pudesse ser bem recebida pelas crianças. "Escolhemos vários e caímos nesse do Brecht, que imagina se tubarões fossem homens", conta Tércio Silva, diretor da companhia. "O universo do oceano é um universo que a criança visita muito, está no dia a dia dela, na brincadeira, nas músicas muito conhecidas. A gente começou a experimentar e, a partir disso, fomos construindo a dramaturgia, as músicas. É um espetáculo que a gente pesquisa há cinco anos e que nasceu de um experimento."
Silva conta que há 10 anos a Buía pesquisa o teatro infantil. "A criança é o futuro hoje, não é o amanhã. E a partir dessa construção, surgiu essa bagunça organizada dessa peça. A gente queria trazer esse teatro do Brecht, que sempre foi feito para o adulto, mas é muito interessante porque coloca o ator e espectador para refletir sobre os personagens", conta. O diretor percebeu que Becht funcionava bem com as crianças por causa da ludicidade. "Ele tem muito essa brincadeira de estar no personagem, sair do personagem, tem muito essas quebras e isso é uma coisa que as crianças fazem muito no dia a dia. E dá muito certo, porque é um universo que as crianças dominam muito na brincadeira", diz.
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A grande pergunta da peça é: "será que os tubarões seriam mais gentis com os peixinhos se fossem humanos?". "A gente vai percorrendo essa pergunta, mas sem responder. E sem um didatismo de perguntas e respostas, mas com uma postura brechtiana que analisa a situação e tenta tirar respostas", avisa o diretor.
O texto faz parte de uma coletânea de contos de Bertold Brecht lançada postumamente e intitulada As aventuras do senhor K. A dramaturgia da montagem da Buía foi feita por Christine Rohrig e o Bertoldo do título é uma homenagem ao escritor alemão. "Trabalhamos com vários contos do senhor Keuner (o K. do título), que era um alter ego do brecht. A partir disso, entendemos que era um universo que se aproximava das crianças", conta o diretor, conhecido por incorporar referências da cultura amazônica nas montagens da Buía. "A gente mergulhou muito nessa coisa da cultura popular, da brasilidade. A gente acredita que a Amazônia está em todo lugar, que ela não é esse estereótipo que se vende. E a gente misturou um pouco de tudo no espetáculo e, sobretudo, a gente fala do Brasil", avisa.
Serviço
Bertoldo, o tubarão que queria ser gente
Com a Buía Teatro. Hoje, às 19h, no Teatro da CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4 Lotes ¾). Entrada gratuita, com retirada de ingressos no site Bilheteria cultural. Classificação indicativa livre

Diversão e Arte
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