
Sofia Diesel Melo cresceu em uma chácara na Serrinha do Paranoá, rodeada de árvores e plantas. A paisagem se tornou uma referência, mas também o espelho de uma certeza: homem e natureza são uma coisa só, é impossível imaginar um mundo onde os dois não estejam ligados. Para Sofia, essa ligação é inegável e é a partir dessa ideia que ela constroi as 30 obras mostradas em Raiz do ser, em cartaz na Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB). "Essa exposição é fruto de um projeto maior que já trabalho há um tempo, que é uma pesquisa de representar os rastros da vida. E decidi fazer o rastro da minha vida aqui em Brasília", conta a artista.
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Raízes das plantas da Serrinha serviram de base para que Sofia criasse uma série de obras que incluem instalação, escultura, desenhos, retratos, antotipias (uma forma de fotografia com pigmentos naturais), gravuras e pinturas. "Resgatei várias plantas que sempre estiveram muito presentes na região, peguei vários tipos de terra, aproveitando a diversidade com várias cores diferentes", explica Sofia, que faz uma associação entre a questão da vida e as raízes das plantas.
Em muitas das obras, as raízes são retratadas mas, em outras, elas foram usadas fisicamente para criar formas e texturas. A intenção da artista, que usou plantas mortas para os trabalhos, é também pensar sobre a importância de agir e viver em coletividade. "Muitas das coisas que fiz são um retrato de uma raiz, às vezes da planta também, mas como se fosse tudo a mesma coisa. É uma reflexão para pensar um trabalho em conjunto."
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"A maioria das raízes retratadas são de plantas menores, mas também de algumas árvores que estavam mortas. E a maioria foi feita em antotipia, que é uma foto com pigmentos naturais e feita com o sol de Brasília", explica. Nesse processo, o papel passa por um preparo para receber as plantas diretamente. Esse material repousa ao sol por uma ou duas horas, o tempo de imprimir as formas. "É um ponto que eu quero relembrar, a natureza é importante, parece óbvio, mas hoje em dia não é tão óbvio. E as pessoas acham que nós, humanos, não somos parte da natureza. Para mim, isso soa totalmente estranho, não faz nenhum sentido", acredita a artista.
Serviço
Raiz do Ser
Exposição de Sofia Diesel Melo. Visitação até 14 de julho, de segunda a sexta, 24 horas, e sábado e domingo, das 7h às 19h, na Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB)
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