A relação conturbada entre pai e filho é o tema central de Memórias do vinho, peça com Caio Blat e Herson Capri em cartaz amanhã e domingo no Teatro Unip. Em cena, um reencontro coloca no mesmo plano os dois personagens, afastados durante anos por conta de desavenças e diferenças nunca superadas. No entanto, uma dificuldade financeira vai obrigá-los a dialogar e a necessidade, regada ao vinho de uma adega valiosa que ajuda a solucionar a crise, aos poucos se transforma em reaproximação.
Leia também: Coprodução ítalo-brasiliense, sobre ditadura, estará no Festival de Veneza
Caio Blat conta que foi a dramaturga Jandira Martini, autora do texto, quem o convidou para participar do projeto antes da pandemia. "Ela me convidou para a gente ler a peça e a gente ficou com muita vontade de montar, mas aí veio a pandemia e, no final, a doença dela se agravou e ela nos deixou", conta o ator, ao lembrar da morte de Jandira, em 2024. "Liguei para o produtor Roberto Monteiro, que trabalha com Fernando Cardoso, e disse: ficamos com essa relíquia nas mãos, temos a obrigação de montar."
Herson Capri estava com Blat no elenco da novela Beleza fatal e topou embarcar no projeto. "A gente gosta muito de trabalhar juntos, então terminamos da novela e emendamos os ensaios da peça", lembra Blat. Memórias do vinho está em cartaz há três anos e passou por duas temporadas em São Paulo, com viagens episódicas como esta a Brasília.
Leia também: Ícone do transformismo, Safira Bengell lança autobiografia em Brasília
O tema central do texto é o reencontro entre pai e filho, rompidos há anos. "São dois homens em crise, um entrando na terceira idade, outro na primeira idade, ambos precisando de grana. E era uma família que tinha dinheiro. Esse pai tem uma coleção de vinhos, com rótulos raros e preciosos. Eles perderam tudo, e a única coisa que sobrou foi a adega", explica Blat. A ideia é que o reencontro vai ser proveitoso, e a venda dos vinhos possibilitará uma retomada financeira, mas, com isso, surgem também segredos de família quando o filho se depara com as anotações do pai em um caderno misterioso.
A adega tem muitos significados no texto de Jandira. As garrafas evocam memórias de fartura e festas, mas também de histórias que o pai sempre ocultou, embora tenha deixado que transparecessem nos diários de vinho, uma prática comum entre colecionadores, que costumam anotar como e quando cada garrafa foi aberta, e em que companhia e ocasião foi tomada. "E tem um final com uma grande surpresa, que é de arrepiar, é arrebatador, a gente sempre se emociona muito", garante Blat. "É uma peça que atinge todo mundo porque todo mundo tem uma história de família, um acerto de contas, algo para lembrar, então bate muito forte nas pessoas. É uma peça sobre família, sobre a relação entre pai e filho, sobre sentimentos, mágoas e reconciliação."
Leia támbém: Maestro Claude Brendel realiza concertos gratuitos em Brasília
Serviço
Memórias do Vinho
Com Herson Capri e Caio Blat. Sábado (25/7), às 17h30 e às 20h, e domingo (26/7), às 19h30, no Teatro UNIP (SGAS 913). Ingressos: a partir de R$ 25 (meia), no Sympla. Não recomendado para menores de 12 anos.
