
A década de 1980 foi um período marcante na carreira da atriz Safira Bengell, que se apresentou em casas noturnas de Brasília, como La Bohème e New Aquários. Pioneira na prática de promover espetáculos com elementos cênicos associados ao gênero oposto, conhecida como transformismo, ela lança autobiografia na Biblioteca Demonstrativa nesta quinta-feira (23/7), às 19h.
Entre os marcos de destaque da carreira de 50 anos, celebrada no livro, estão os primeiros passos, no Rio de Janeiro, as turnês pelo país e a mudança para a Europa. Apesar de ter sido presa como imigrante clandestina, a artista conseguiu se consolidar fora do país. A revista VIP a elegeu como rainha da noite nas discotecas de Milão.
“A Europa me deu sofrimento, mas também a oportunidade de mostrar meu trabalho e ter a vida confortável que tenho hoje”, diz Bengell. Ela conta que se casou com um marechal do Exército italiano, um dos momentos de destaque na autobiografia.
Tudo começou no Cabaré Casanova, espaço icônico no bairro da Lapa, em 1974. Foram inclusive os produtores do local, Juan Carlos Berardi e Marlene Casanova, que sugeriram o nome artístico Safira Bengell. Ali, ela fez covers da cantora Maria Alcina. A carreira ganhou projeção nacional após participações em programas de televisão como o Clube do Bolinha, da TV Bandeirantes, e o Show de Calouros, apresentado por Silvio Santos.
A autobiografia reúne relatos inéditos, fotografias históricas, reportagens de época e acervo iconográfico que resgata memórias da artista. A obra foi escrita por Safira Bengell e transcrita pelo escritor Eneas Barros, com revisão da professora Graça Targino, da Universidade Federal do Piauí.
Bengell quer deixar legado de competência profissional em um setor pouco valorizado. “Desejo deixar imortalizada a história de uma verdadeira artista que contribuiu para gerações sobreviverem de sua arte, não de exibicionismo.” Na segunda-feira (27/7), a artista lança a obra no Beirute, na 109 Sul, às 19h30.
Serviço
Safira Bengell lança autobiografia hoje, às 19h, na Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB). Entrada livre.
*Estagiário sob supervisão de Nahima Maciel

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