Uma reflexão sobre as próprias raízes atravessa a obra dos artistas Marcos Roberto e Robson Marques, que assinam duas exposições em cartaz na Galeria Karla Osório. Originário de Feira de Santana, Marques se debruça sobre toda uma simbologia que remete aos elementos característicos de um lugar conhecido por ser o berço do comércio e das trocas do Agreste baiano, enquanto Roberto traz para a escultura a experiência adquirida durante anos de trabalho na indústria metalúrgica.
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Em Condensar tempos, Marcos Roberto reúne 15 obras produzidas nos últimos quatro anos. São esculturas e pinturas nascidas de uma temática cuja origem está na própria trajetória do artista. "Meu trabalho fala, basicamente, sobre política, crise social, fome e situação de trabalho", avisa o artista. "Essas temáticas me interessam porque não quero que meus filhos passem pelo que passei. Sei que não vou conseguir mudar as coisas, mas a arte é uma forma de me expressar, de falar de como é duro ser um trabalhador mal-remunerado, de falar que não podemos aceitar tudo. A arte tem um alcance que é a transformação."
Marcos Roberto nunca pensou que poderia viver de arte até pouco mais de 10 anos atrás, quando se mudou do interior de São Paulo, onde trabalhava na indústria de metalurgia, para a capital do estado e passou a ter contato com artistas e galerias. Ele sempre desenhou e gostou desse universo, mas não sabia que poderia tirar o sustento da própria produção. "Meu trabalho é mais intuitivo, vou tendo ideia e gosto de colocar a mão na massa. Meu trabalho todo conversa entre ele, fala da minha própria trajetória, da minha família", avisa.
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As próprias origens também estão presentes nas pinturas de Robson Marques em Minhas mãos são seus caminhos, boa parte delas inéditas. "Venho de uma cidade com a história de ser um dos maiores entroncamentos do Norte e Nordeste, com muita feira livre, troca de materiais, tanto alimentícios quanto objetos. E nessa investigação começo a questionar meus caminhos, por isso 'minhas mãos são meus caminhos'. E começo a criar situações que vivi em Feira", avisa o artista.
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Quando saiu de Feira de Santana rumo a São Paulo, Marques sonhava com um trabalho, mas arte não estava no horizonte, era um sonho distante. "E tem todo o processo de que eu também sou migrante", explica. Quando desembarcou no universo artístico, levou junto essas experiências, uma mistura de referências que têm a própria família, mas também a dinâmica da região como bases. "Dentro dessa investigação, não perco minhas raízes e mantenho as tradições. Começo a pintar todas as festas e os elementos todos juntos", avisa o artista, que traz para as pinturas dos balagandãs às festas de carnaval.
Serviço
Minhas mãos são seus caminhos
De Robson Marques
Condensar tempos
De Marcos Roberto
Abertura amanhã, às 11h, na Galeria Karla Osório (SMDB Conjunto 31 Lote 1B - Lago Sul) Visitação até 6 de setembro, de segunda a sexta, das 9h às 18h, e sábados, das 9h às 14h. Agendamento por telefone, e-mail, DM no Instagram ou WhatsApp.
