Apaixonada por mamulengo há 18 anos, a atriz Fabíola Resende quis ir além nessa seara do teatro de bonecos. Encantada pela ventriloquia, ela encomendou uma boneca especialmente para mergulhar nessa técnica, que consiste em conversar sem mexer os lábios. A pesquisa começou em 2023 e foram necessários três anos de prática e lapidação do texto para colocar em cena o espetáculo Samarina, que estreian nesta sexta-feira (31/7), às 19h30, no Espaço Cultural Renato Russo. “O mamulengo foi reconhecido patrimônio cultural em 2015 pelo Iphan, mas a gente não vê grupos de ventriloquia e me veio essa vontade de aprender. Encomendei uma boneca com a mestra Neide Lopes, de Glória do Goitá (PE), e comecei uma imersão”, conta Fabíola.
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No palco, estão presentes Samarina e a própria Fabíola. A conversa entre as duas traça personalidades completamente diferentes. Samarina é uma sabida vendedora de ervas. “Ela é uma mulher que sabe de tudo um pouco e um pouco de quase tudo, muito cheia de si, muito presente, e que quer curar as dores das pessoas. Vende garrafadas, perfumes do Pará, chás, banhos e ervas. E o espetáculo é ela tentando, o tempo todo, me curar”, explica Fabíola. A ideia da personagem veio das vivências da atriz e, sobretudo, da inspiração em uma amiga, dona Josefa. “Um dia fui tomar um chá na casa dela e tudo que ela fazia era uma cena. Além disso, teve uma uma pesquisa de filmes, livros e vivências”, conta.
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Samarina também carrega a dor de uma saudade de um grande amor, Severino, um boneco que acabou queimado depois que o dono morreu. É, segundo Fabíola, uma história comum no mamulengo: os filhos se desfazem dos bonecos dos pais que passaram a vida mergulhados no universo dessa arte popular, mas acabaram falidos. “No caso de Severino, eles achavam que boneco era uma maldição porque o pai morreu falido brincando”, lamenta.
O maior desafio para a atriz foi aperfeiçoar a técnica da ventriloquia, que não é fácil e exige muita prática. “No espetáculo, são duas vozes o tempo todo, somos nós duas conversando e interagindo com a plateia”, avisa. “A ventriloquia é uma voz que vem do ventre e essa coisa de usar a técnica me fascina e ainda é um desafio. Estou buscando. Precisa manter os dentes fechados e deixar sair por uma frestinha. A voz altera e esse é o jogo: a minha voz e a voz da boneca. Não dá, por exemplo, para ter frases muito grandes e preciso evitar palavras com P, M e B.”
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A trilha original da rabequeira Maisa Arantes é executada ao vivo no palco, com uma sanfona, na maior parte do tempo. A experiência do mamulengo, adquirida ao longo de quase duas décadas de trabalho com o Mamulengo Presepada de Chico Simões, guia os passos de Fabíola Resende, que também é professora de arte na secretaria de educação do Distrito Federal.
Serviço
Samarina
Espetáculo de Fabíola Resende. Nesta sexta-feira (31/7), às 19h30, no Espaço Cultural Renato Russo da 508 Sul. Entrada franca. Não recomendado para menores de 12 anos
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