Montada ao ar livre no Jardim Botânico, a exposição Arte da terra, que faz parte do II Festival Galeria Aberta, reúne seis artistas com obras criadas especialmente para dialogar com o espaço. Essa é a segunda edição do projeto idealizado pela artista Patrícia Bagniewski, que divide a curadoria com Renata Azambuja.
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A ideia nasceu em 2012, a partir de uma inquietação simples: o que acontece quando a arte sai de dentro da galeria e o artista cria diretamente na natureza? A pergunta tem origem na experiência da própria Patrícia, que participou de uma residência artística em um parque enquanto fazia mestrado no Japão. "Me marcou muito", conta. Artistas de vários países participaram da experiência que resultou na criação de obras para o espaço. "Ficamos uma semana morando e trabalhando juntos e o parque acabou sendo nosso ateliê. A criação aconteceu a partir da convivência cotidiana com o lugar e compreendi que a paisagem não era um cenário, ela participou de todo o processo criativo da obra", lembra.
Quando voltou ao Brasil, Patrícia decidiu criar uma experiência semelhante e idealizou o Ateliê Aberto. A experiência é também uma forma de refletir sobre o propósito da arte de forma geral. Antes de existir museu, galeria e mercado, lembra Patrícia, o ser humano já criava e a arte não nasceu para ser comercializada. "E sim como uma necessidade humana de compreender o mundo, deixar marca, compartilhar experiências", aponta Patrícia.
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Todas as obras de Arte da terra foram criadas para integrar o espaço do Jardim Botânico. No total, seis artistas participam do projeto. Quem passear pelo parque até 30 de setembro poderá se deparar com as casinhas de pau a pique em miniatura que dialogam com os cupinzeiros de Valéria Pena Costa, com o mobiliário delicado em pedra de Nina Coimbra, com as cortinas de tecidos que contam uma história do Brasil de Daisy Barros, com as reflexões sobre ancestralidade de Adrian Kariú e com a poética exploração do território do coletivo Coletivo Vaga-mundo - poéticas nômades, além de uma obra da própria Patrícia. "A gente fez a curadoria a partir da relação que esses artistas já tinham com a natureza. A partir desse olhar de cada um, da naturalidade com esse tema", avisa a curadora.
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Renata Azambuja lembra que são artistas muito diferentes entre si e com trajetórias bem distintas. "E essas trajetórias estão espelhadas no espaço. Então tem obras com um caráter mais de site específico, que têm questões mais relacionadas ao próprio espaço do Jardim Botânico", avisa a curadora. "O interessante na experiência é o olhar, tentar fazer a distinção naquela quantidade de estímulos visuais que tem no Jardim Botânico e identificar o que é arte", acredita. A proposta é que as obras se diluam no espaço e que o observador se depare naturalmente com elas, mas há também plaquinhas que identificam os trabalhos e seus autores.
Serviço
II Festival Galeria Aberta: Arte da terra
Curadoria: Patricia Bagniewski e Renata Azambuja. Com obras de Adriana Kariú, Daisy Barros, Nina Coimbra, Valéria Pena Costa, Patrícia Bagniewski e Coletivo Vaga-mundo – poéticas nômades. Visitação até 30 de setembro, de terça a domingo, das 7h às 16h30, no Jardim Botânico.
