Música

Elas puxam a roda no Festival Divas do Samba, na Caixa Cultural

Festival Divas do Samba celebra o protagonismo das mulheres na música e ocupa a Caixa Cultural neste fim de semana. A entrada é gratuita

Carol Nogueira se apresenta com Regional Severinas amanhã -  (crédito: Thaís Mallon)
Carol Nogueira se apresenta com Regional Severinas amanhã - (crédito: Thaís Mallon)

Na roda do samba, há muitas vozes, e o Festival Divas do Samba quer que todas sejam ouvidas. Desde 2014, o encontro transforma música em celebração, memória e afirmação, colocando as mulheres no centro de uma história que também é feita por quem compõe, toca, empreende e mantém a música viva. Nesta edição, o evento gratuito volta ao espaço público e ocupa o estacionamento da Caixa Cultural para celebrar a força feminina que pulsa no ritmo. Sábado (26/9) e domingo (27/9), nomes como Carol Nogueira, Regional Severinas, Samba da Passarinha, Chorodelas e Teresa Lopes se apresentam com repertório recheado por clássicos que marcaram época, ao longo da programação que vai das 14h às 20h.

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Idealizadora do Divas do Samba, Ellen Oliveira explica que o festival é uma celebração das mulheres que criaram e sustentaram o ritmo que é patrimônio imaterial do Brasil. "É uma forma de empoderamento que não é sobre hierarquia, mas sobre compartilhar de igual para igual. É sobre poder criar e estar onde quiser. É a mulher que ocupa seu espaço no samba por inteiro, seja cantando no microfone ou ajustando o som atrás do palco", ressalta a responsável pelo evento.

Na cena feminina do samba em Brasília, Ellen vê uma mudança real, porém mais lenta do que gostaria. "Hoje existem mais espaços para mulheres se apresentarem e mais visibilidade para cantoras, isso é fato. Vemos isso acontecendo de forma muito expressiva", avalia a idealizadora, que destaca o Samba da Passarinha, o Beco da Rainha e o Sambadona como algumas das principais rodas comandadas por mulheres.

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"Mas o que a gente percebe, de perto, é que ainda falta espaço para outras camadas: para quem compõe, para quem pensa e para quem pesquisa", continua. "A transformação existe, mas é desigual: avançou bastante na frente do palco, porém a gente também precisa pensar no samba antes de chegar lá. E é exatamente essa parte que ainda falta, que o Divas quer ajudar a empurrar pra frente", declara Ellen.

Resistência

Para Carol Nogueira, que se apresenta com o grupo Regional Severinas amanhã, ser uma mulher que faz samba nos dias de hoje significa resistir. "É um ato de afeto e alegria. É ocupar, por meio da minha voz, espaços seguros de reflexão, alegria e inclusão. Construímos todos os dias novas possibilidades, sempre enaltecendo nossa ancestralidade", diz a artista, que lança em breve o primeiro álbum da carreira, De corpo inteiro.

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Na roda de samba, não pode faltar boa dinâmica, acolhimento, gente feliz, coro e bom repertório, lista a cantora. "Uma música que não pode faltar é Zé do caroço, de Leci Brandão", aponta Carol, que também tem como inspiração nomes como Dona Ivone Lara, Beth Carvalho e Alcione.

Serviço

Festival Divas do Samba — 5ª edição

Sábado (26/9) e domingo (27/9), das 14h às 20h, no Estacionamento da Caixa Cultural Brasília. Entrada gratuita, mediante retirada de ingresso na plataforma on-line Sympla. Classificação indicativa livre.

 

 

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postado em 25/09/2026 06:00 / atualizado em 25/09/2026 14:37
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