Acostumada a criar espetáculos nos quais o gestual e o movimento são as linguagens protagonistas, a Cia. Dos è Deux sobe ao palco do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) com um novo espetáculo no qual incorpora, pela primeira vez, a palavra falada. Em temporada que segue até 8 de novembro, Confuzo (está escurecendo em mim) é uma reflexão sobre o fim e o começo a partir de uma combinação de gestos, sons, luzes e texto. "O tema desse espetáculo comunica muito com temas importantes neste momento do mundo", explica o diretor e ator Artur Luanda Ribeiro. "É sobre o pertencimento, o fato de estarmos permanentemente tendo que gritar para existir por sermos diferentes".
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A dramaturgia leva para a cena uma fábula contemporânea que tem o corpo como personagem principal. São tempos de colapso social, ambiental e emocional, um cenário no qual é preciso sobreviver. O corpo é símbolo de resistência e de pertencimento personificado nos personagens Homem-Árvore e Homem-Luz. Enquanto o primeiro tenta fincar raízes em um solo sem sucesso, o segundo pedala uma bicicleta que produz energia elétrica e ilumina o mundo, mas o consome e esgota por dentro, instalando a escuridão.
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O solo não aceita as raízes do Homem-Árvore, vivido por André Curti, porque decidiu que ali, ele não vinga. A narrativa é uma metáfora para os fatos contemporâneos. "É sobre um pertencimento social, mas também sobre o pertencimento migratório", explica Artur. "O que está acontecendo nos Estados Unidos e na Europa vem trazendo pra gente questionamentos muito importantes enquanto sociedade. Até que ponto a sociedade está pronta para aceitar o diferente, até que ponto ela enxerga o outro de um momento dado como diferente."
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É, também, sobre a intolerância na sociedade que trata Confuzo. O Homem-Luz é uma grande reflexão sobre o homem contemporâneo, que se agita e pedala no vazio para chegar em lugar nenhum. Ao mesmo tempo, ele precisa pedalar para gerar energia. Movimento e iluminação são as bases narrativas do espetáculo mas, dessa vez, os personagens também falam. Artur é responsável pela parte luminotécnica da produção e faz o papel de Homem-Luz. "Com a energia que passa pelo meu corpo e que é automaticamente devolvida para a cena, eu crio os quadros em tempo real, acabo virando um artista plástico e tenho que operar a luz de forma analógica", conta.
As metáforas do Homem-Árvore e do Homem-Luz, ele explica, surgiram de duas simbologias: enquanto um quer se enraizar, o outro quer partir. "E a gente trabalha com esses dois opostos: o movimento e o fincar. Tem um paradoxo muito grande nesse espetáculo", garante.
Serviço
Confuzo (está escurecendo em mim)
Cia. Dos à Deux. Com Artur Luanda e André Curti. Sexta (23/10) e sábado (24/10), às 20h, e domingo, às 16h30 e às 20h, no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB-SCES Trecho 02 Lote 22). Ingressos:
R$ 30 e R$ 15 (meia), disponíveis no site do CCBB Brasília
Diversão e Arte
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