O centenário de Moacir Santos será celebrado no Clube do Choro com o encontro entre a clarinetista israelense Anat Cohen e o violonista brasileiro Marcello Gonçalves. Nesta sexta (9/10) e no sábado (10), às 20h30, a dupla apresenta o espetáculo Tributo aos Mestres, dentro da programação do Complexo Cultural do Choro, com patrocínio master da Shell.
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Indicados ao Grammy pelo álbum Outra Coisa: The Music of Moacir Santos, os músicos revisitam a obra do compositor em uma formação de clarinete e violão de sete cordas. Para Marcello, a adaptação das composições surgiu a partir do contato com o Cancioneiro Moacir Santos, organizado por Zé Nogueira e Mário Adnet.
"Eu já conhecia as gravações originais dos discos do Moacir, mas nunca tinha imaginado como todas aquelas informações poderiam caber no violão", conta. Segundo ele, as músicas se encaixaram de forma tão natural no instrumento que, em alguns momentos, os arranjos pareciam ter sido escritos originalmente para o duo.
Para o violonista, a permanência da obra de Moacir Santos está relacionada à capacidade do compositor de reunir diferentes referências musicais em uma linguagem própria. "Os elementos musicais estão todos lá, sintetizados de uma maneira muito rara", afirma.
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A parceria entre Marcello e Anat, por sua vez, começou em 2000, quando a clarinetista esteve no Brasil pela primeira vez. Os dois já haviam tocado juntos informalmente antes de transformar a afinidade musical em um projeto dedicado à obra de Moacir.
Além do tributo, o público poderá ouvir pela primeira vez em Brasília o repertório de Reconvexo, segundo álbum da dupla. Gravado durante a quarentena, o disco reúne interpretações instrumentais de canções de nomes como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Tom Jobim e Luiz Bonfá.
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Para Marcello, o ponto em comum entre as músicas está na maneira como elas retratam o país. "Nosso objetivo foi trazer essa visão, tão claramente expressa nas letras, para uma versão instrumental", explica. A dupla também prepara um songbook com os arranjos para clarinete e violão de sete cordas. A publicação, segundo Marcello, pretende ampliar a circulação da obra de Moacir e estimular novas interpretações de suas composições. "Esperamos que o público cante e se emocione conosco e que leve para casa um sentimento de orgulho pela riqueza e pela diversidade de nosso país", afirma.
*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
