Em plena Superquarta do mercado financeiro, quando as reuniões dos comitês de política monetária dos bancos centrais do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fomc) coincidem, as decisões foram em sinais contrários, mas sem surpresas entre os analistas para a última reunião do ano dos colegiados.
Enquanto o Federal Reserve (Fed), reduziu os juros básicos em 0,25 ponto percentual, como esperado pelo mercado em uma decisão dividida, com três dirigentes divergentes, no Brasil, o Copom manteve a taxa básica da economia (Selic) em 15% ao ano, e, em decisão novamente unânime, pela quarta vez consecutiva.
No comunicado, o Fomc sinalizou mais um corte de juros no ano que vem. Já o Copom, não sinalizou quando pretende iniciar a redução da taxa Selic que está no maior patamar desde julho de 2006, há seis meses, e ainda manteve a porta aberta para aumento de juros.
No documento, o BC afirmou que as incertezas continuam elevadas e, por conta disso, manteve os termos que eram mais duros contra a inflação, como a afirmação de que o cenário exige que os juros continuem em patamar elevado por um período "bastante prolongado". Além disso, reforçou que "seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado".
A falta de mudanças na nota do Copom em relação ao comunicado da reunião de novembro deixou analistas e entidades do setor produtivo apostarem em queda da Selic a partir da segunda reunião do Copom do próximo ano, em março. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) lamentou a decisão, mas destacou que a manutenção da taxa Selic em 15% "é consequência direta de uma política fiscal considerada desequilibrada, marcada por sucessivas expansões de gastos públicos".
Analistas também reconheceram que os dados recentes da desaceleração da economia e da inflação mais controlada não foram suficientes para o BC mudar o rumo da política monetária. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro avançou 0,18%. No acumulado em 12 meses, o indicador teve alta de 4,46%, e, pela primeira vez desde setembro de 2024, ficou abaixo do teto da meta, de 4,50%. Contudo, pelas novas projeções do BC, a inflação ainda seguirá acima da meta até o segundo trimestre de 2027 — horizonte relevante monitorado pelo Copom.
Risco inflacionário
Para o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, o fato de a comunicação do Copom não ter sofrido mudanças em relação à reunião anterior, sugere que o BC ainda está muito preocupado com o ritmo de convergência da inflação para a meta, de 3%. "A leitura nossa é que o comunicado mostra um Banco Central muito preocupado com risco inflacionário ainda", explicou. "Do ponto de vista prático, isso reduz muito a probabilidade de que haja corte na reunião de janeiro", acrescentou. Padovani prevê o início de corte dos juros a partir de março e juros terminando o ano em 12%.
O economista da XP Investimentos, Rodolfo Margato, também prevê que a Selic só deverá começar a cair em março e reforçou que o mercado esperava uma sinalização de que o Copom poderia antecipar o corte dos juros para janeiro. Ele contou que a expectativa para essa sinalização seria a retirada do trecho "bastante prolongado".
De acordo com a economista Zeina Latif, entretanto, o fato de o BC manter o tom duro do comunicado e não sinalizar o início de corte de juros não significa que a possibilidade de corte em janeiro está totalmente descartada, uma vez que a taxa de juros real (descontada a inflação) ainda é muito elevada, em torno de 10,50%, atualmente, para um juro neutro de 5%. "O aperto monetário é grande para uma economia que não está superaquecida" Para ela, existem condições para o BC, em breve, começar a reduzir os juros, nem que seja lentamente. "A questão é se esse é o melhor remédio", acrescentou.
Com os juros nominais de 15% ao ano, o Brasil continua com uma das taxas de juros real mais altas do mundo, atrás apenas da Turquia, conforme ranking elaborado pela MoneYou, em parceria com a Lev Intelligence. De acordo com o levantamento, o Brasil segue na 2ª colocação no ranking mundial de juros reais, com taxa de 9,44% ao ano, percentual bem acima da média registrada entre 40 economias listadas, de 1,14% ao ano.
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