
A primeira sessão do ano no mercado financeiro foi marcada pela baixa liquidez e menos movimentações, com quedas da Bolsa e do dólar, embaladas pelo aumento das incertezas domésticas e externas.
Os agentes financeiros reagiram negativamente à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de iniciar um processo de "inspeção" em torno da decisão do Banco Central sobre a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro do ano passado. O anúncio gerou desconfiança entre investidores em torno da real autonomia da autoridade monetária e da sua influência para tomar decisões como a proferida há pouco mais de um mês.
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A interferência de uma Corte que tem como obrigação fiscalizar as contas da União e não uma operação de fraude bilionária de um banco privado investigada pela Polícia Federal e pelo BC tem gerado muita desconfiança sobre os verdadeiros interesses por trás da decisão do Tribunal, de acordo com especialistas.
O Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) recuou 0,36% no primeiro pregão do ano, ontem, e voltou ao patamar de 160.538 pontos. O movimento ocorre após o principal índice da B3 acumular alta de 34%, em 2025, a maior valorização em nove anos. Enquanto isso, em Nova York, o Índice Dow Jones avançou 0,66%.
Apesar do clima mais tenso entre BC e TCU, as ações das instituições financeiras fecharam o dia com desempenhos diferenciados, com quedas nos papeis do Banco do Brasil e do Santander, de 1,09% e de 0,91%, respectivamente. Enquanto isso, os maiores bancos privados do país, Itaú Unibanco e Bradesco, registraram altas de 0,14% e de 0,38%, respectivamente. As ações que mais se saíram bem no primeiro pregão do ano foram as do Pão de Açúcar, que subiram 4,21%, no dia de ontem.
Apesar da sessão negativa na largada de 2026, o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, explicou que há pouco a se afirmar diante de um primeiro dia de negociações na Bolsa. "O resto do mundo estava em um dia positivo em virtude do setor de tecnologia, mas o Brasil é bem ausente nesse tema. O país não tem nenhum representante que esteja envolvido direta ou indiretamente na questão de tecnologia, inteligência artificial, e, portanto, acaba ficando de fora da alta", avaliou.
Tarifaço chinês
A decisão do governo chinês em aplicar um tarifaço sobre a carne bovina, com imposto adicional de 55% sobre a importação da proteína, afetou em cheio os frigoríficos brasileiros. Ontem, os ativos da Minerva Foods lideraram as perdas na B3, com uma baixa de 6,77%, enquanto que a BR Foods, dona de marcas como Sadia e Perdigão, caiu 1,7%.
Após o anúncio da nova tarifa chinesa, os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), da Agricultura e o das Relações Exteriores, emitiram uma nota conjunta informando que o governo brasileiro continuará agindo de forma coordenada com o setor privado e "seguirá atuando junto ao governo chinês tanto em nível bilateral quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC)", com vistas a mitigar o impacto da salvaguarda imposta à carne bovina do Brasil e de outros países exportadores da proteína.
A nota informou, ainda, que o governo "acompanha o tema com atenção" e pretende "defender os interesses legítimos dos trabalhadores e produtores do setor".
Dólar em queda
No pregão de ontem, o dólar voltou a cair e apresentou uma queda robusta, acima de 1,16%, recuando para R$ 5,425 para a venda. De acordo com Cruz, um dos principais motivos para esse movimento é justamente a virada do ano.
"Havia gente que estava enviando dividendos para fora, tentando fugir da tributação que vai ter neste ano, já não tem mais o porquê fazer essa atuação mais intensa, e também tem aqueles que querem tentar travar um câmbio médio mais alto, aproveitando o movimento. Agora também já não tem, porque virou o ano", explicou Cruz.
Para o analista e sócio da GWX Investimentos, Ciro de Avelar, a expectativa é de poucas negociações no mercado acionário neste mês, até o fim do recesso parlamentar, quando o cenário doméstico deve ficar mais aquecido. A expectativa é de volatilidade por conta das eleições presidenciais neste ano.
"Com o dólar ainda orbitando em torno de R$ 5,42, estamos vendo ainda uma baixa da divisa norte-americana, mas, principalmente, com baixo volume das negociações, ainda não temos um direcionamento de como vai ser os próximos dias. Mas semana que vem, certamente os números aumentarão e vamos ter uma volatilidade maior nos mercados", disse.
Ouro em baixa
No cenário internacional, o ativo que mais se valorizou no ano passado, acumulando ganhos acima de 64% no acumulado em 12 meses, fechou em queda no primeiro dia de 2026.
Em Nova York, os contratos futuros de ouro para fevereiro encerraram em baixa de 0,26%, no valor de US$ 4.329,60 por 'onça-troy' (31,1034768 gramas). Ao mesmo tempo, a prata para março subiu 0,6%, a US$ 71,02 por onça-troy. A queda no preço do metal indica uma abertura dos investidores a outros ativos de maior risco, em um cenário de esfriamento das tensões geopolíticas.
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