
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, registrou alta de 0,33% em dezembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, a inflação acumulada de 2025 ficou em 4,26%.
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O índice encerrou o ano dentro do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — que permite variação entre 1,5% e 4,5%. A permanência dentro desse intervalo evitou o descumprimento formal da meta e reduziu a pressão sobre a política monetária.
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O resultado marca uma inflexão em relação a 2024, quando o país voltou a estourar o teto inflacionário. Ao longo da série histórica do regime de metas, vigente desde 1999, o governo não conseguiu cumprir a missão de manter a inflação sob os limites do CMN em oito anos: 2001, 2002, 2003, 2015, 2017, 2021, 2022 e 2024.
O governo comemorou o resultado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as previsões pessimistas do mercado de que a meta não seria alcançada em 2025, lembrando que, há um ano, as estimativas indicavam que a inflação encerraria o período em torno de 5% — meio ponto percentual acima do teto estabelecido.
Lula avaliou que os números reforçam o desempenho do governo ao longo do mandato. "Esse dado confirma: teremos, em quatro anos, a menor inflação acumulada da história", previu Lula. Para ele, o IPCA acumulado de 2025 é "resultado de uma política econômica séria, que faz o Brasil crescer, distribuir renda e considera, em primeiro lugar, o bem-estar do povo brasileiro".
No comando interino do Ministério da Fazenda, o secretário executivo Dario Durigan destacou que o resultado representa a quinta menor taxa de inflação desde 1995 e supera todas as expectativas do mercado. Ele também ressaltou os efeitos da estabilidade econômica e fiscal e afirmou que o governo segue firme com o compromisso de entregar a menor inflação acumulada de um mandato presidencial desde o Plano Real, lançado em 1994, para combater a hiperinflação que marcou os anos anteriores, desde os últimos anos da Ditadura Militar.
"Mas não paramos por aí. Com a estabilidade econômica e fiscal que devolvemos ao Brasil, colhemos bom crescimento do PIB, baixo desemprego, aumento da renda real do trabalho e queda da pobreza, da extrema pobreza e da desigualdade. Não tenham dúvidas: em 2026, não será diferente", escreveu Durigan em uma rede social.
Comida x energia
Em 2025, a desaceleração dos preços dos alimentos foi determinante para conter a inflação e manter o IPCA dentro da meta, ao compensar pressões vindas de outros grupos, como serviços e preços administrados. Itens básicos da cesta, como arroz e feijão, registraram queda em relação a 2024.
"Os preços dos produtos alimentícios subiram 2,95% em 2025, abaixo do resultado de 2024, quando registraram alta de 7,69%. Com os produtos não alimentícios, ocorreu o movimento inverso: alta de 4,64% em 2025, frente aos 4,07% observados em 2024", apontou Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.
No detalhamento do grupo, a alimentação no domicílio avançou 1,43%, o menor resultado desde 2023, quando houve deflação, enquanto a alimentação fora do domicílio teve alta de 6,97%.
Já o avanço da inflação no ano foi puxado, principalmente, pelo grupo habitação, que subiu 6,79%, ante 3,06% em 2024, exercendo o maior impacto no índice anual. Entre todos os itens pesquisados, a energia elétrica residencial teve o maior efeito individual, com alta acumulada de 12,31%.
O resultado refletiu uma combinação de reajustes tarifários, que variaram de uma redução de 2,16% a aumentos de até 21,95%, além da incorporação do Bônus de Itaipu em janeiro e agosto. Segundo Gonçalves, também pesou a maior prevalência de bandeiras tarifárias, que encareceram a conta de luz dos consumidores. "Isso ocorreu de forma diferente de 2024, quando houve oito meses de bandeira verde, sem custo adicional", comentou ele.
INPC abaixo de 4%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que mede a inflação de produtos e serviços consumidos por famílias de baixa renda com rendimento mensal entre 1 e 5 salários mínimos — registrou alta de 0,21% em dezembro. O resultado ficou 0,18 ponto percentual acima do observado em novembro e em menos da metade do percentual de dezembro de 2024, de 0,48%.
No acumulado de 2025, o INPC avançou 3,9% — abaixo dos 4,77% registrados em 2024, com uma diferença de 0,87 ponto percentual. Com esse resultado, o reajuste das aposentadorias ficará abaixo da inflação oficial acumulada no período.
Política monetária
Com a inflação dentro do intervalo da meta, o desafio do Banco Central passa a ser conduzir o índice para mais perto de 3% (centro da meta). Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, os dados indicam um processo relevante de desinflação, ainda que não totalmente estrutural, comandado pela autoridade monetária com sua política de juros altos.
Segundo o analista, o resultado reflete fatores pontuais verificados ao longo do ano passado, como a contribuição mais favorável de alguns preços administrados e dos alimentos em determinados períodos. "O fato de ser o menor nível desde 2018 confirma que a estratégia do Banco Central foi eficaz e adequada ao cenário atual, mas não autoriza uma flexibilização automática dos juros, já que a autoridade monetária segue focada na convergência sustentável da inflação ao centro da meta e atenta aos riscos fiscais e às expectativas inflacionárias", afirmou.
Lima avalia ainda que, olhando para 2026, o cenário de inflação mais controlada tende a trazer efeitos positivos. "Esse quadro deve melhorar a confiança, reduzir incertezas macroeconômicas e abrir espaço, de forma gradual e cautelosa, para condições financeiras menos restritivas, o que pode favorecer a expansão do crédito e sustentar um crescimento econômico mais equilibrado no próximo ano", disse o analista de investimentos.
Na mesma linha, o economista Heliezer Jacob, do C6 Bank, avaliou que a queda nas cotações das commodities em reais ajudaram a aliviar a inflação. "Para 2026 e 2027, projetamos um IPCA de 4,8%, com pressão do mercado de trabalho aquecido e de um real mais depreciado", destacou.
Apesar disso, Jacob ressaltou que os dados recentes da economia brasileira não alteram a avaliação da política monetária no curto prazo. "Os dados do IPCA não mudam nossa expectativa de que a Selic seja mantida em 15% na próxima reunião do Copom, no final de janeiro. Acreditamos que o ciclo de cortes deve começar em março, com os juros chegando a 13% no fim de 2026", projetou o economista.
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