Brasil-Irã

Balança comercial favorável, com fluxo anual de US$ 3 bilhões

Donald Trump anuncia que pretende taxar em 25% os países que têm alguma relação comercial com o Irã, e Brasil corre risco de entrar na mira dos EUA

exportacao brasil ira -  (crédito: pacifico)
exportacao brasil ira - (crédito: pacifico)

A corrente comercial do Brasil com o Irã somou US$ 3 bilhões, em 2025, volume parecido com o de 2024. O país do Oriente Médio respondeu por apenas 0,84% das exportações brasileiras totais, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

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Essa relação bilateral ganhou nova dimensão após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar na segunda-feira a intenção de impor tarifas de 25% aos países que tenham relações comerciais com o Irã. Segundo o republicano, a cobrança incidirá "sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos" por esses países, com efeito imediato, embora os detalhes da medida ainda não tenham sido formalmente divulgados pela Casa Branca.

O anúncio elevou o nível de alerta sobre possíveis impactos ao comércio exterior brasileiro, sobretudo no agronegócio, principal beneficiário da relação com Teerã. Em 2025, as vendas brasileiras para o mercado iraniano somaram US$ 2,9 bilhões, consolidando o país como o quinto maior destino das exportações nacionais para o Oriente Médio, atrás de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita.

O governo brasileiro acompanha a nova ameaça anunciada por Trump com cautela e informou que aguarda a publicação formal da ordem executiva americana para analisar seus termos e possíveis impactos.

Atualmente, as exportações brasileiras para os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, operam sob um regime tarifário diferenciado. De forma geral, os embarques se dividem entre produtos que entram no mercado americano sem tarifas adicionais e mercadorias sujeitas a sobretaxas de até 40%, o que encarece os custos, reduz a competitividade e influencia diretamente a estratégia das empresas brasileiras no acesso ao mercado dos EUA.

A eventual nova taxação tende a gerar impactos negativos para a economia brasileira, avalia Haroldo da Silva, presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP). Segundo ele, a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano agravaria um cenário já delicado.

"Encarecer os produtos brasileiros que vão para o mercado estadunidense em 25% é um problema que se soma a outro", afirma. Haroldo destaca que, mesmo após exclusões recentes, cerca de 22% dos embarques brasileiros aos EUA ainda sofrem os efeitos do chamado "tarifaço". "Sequer resolvemos esse problema e já estamos na iminência de outro, no campo comercial", lamentou.

Agronegócio

No ranking global, o Irã ocupa a 31ª posição entre os destinos das exportações brasileiras. Em 2025, o mercado iraniano superou destinos tradicionais como Suíça, África do Sul e Rússia, impulsionado pela forte demanda por commodities agrícolas. O milho representou 67,9% dos embarques de produtos brasileiros para o Irã no acumulado de 2025, conforme os dados do Mdic.

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No ano passado, o total das exportações brasileiras bateu recorde histórico, mesmo sob cenário internacional adverso, somando US$ 348,7 bilhões, dado US$ 9 bilhões superior ao recorde anterior, de 2023. Os últimos três anos apresentam os melhores resultados históricos para a balança comercial.

Em relação a 2024, o aumento das exportações, no ano passado, em valores, foi de 3,5%. Em volume, o crescimento foi ainda maior: de 5,7%. Esse último percentual é mais do que o dobro do previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para o crescimento global em 2025, de 2,4%.

 

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postado em 14/01/2026 03:59
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