ACORDO COMERCIAL

Sem a presença de Lula, acordo entre Mercosul e UE será assinado hoje

Tratado histórico entre os blocos encerra mais de duas décadas de negociações, amplia acesso a mercados e ainda precisará passar por processos de ratificação nos países

O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente do Conselho Europeu, António Costa desembarcam em Assunção para a cerimônia de assinatura do acordo MERCOSUL- União Europeia.  -  (crédito:  Carlos Cruz/MRE)
O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente do Conselho Europeu, António Costa desembarcam em Assunção para a cerimônia de assinatura do acordo MERCOSUL- União Europeia. - (crédito: Carlos Cruz/MRE)

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia será formalmente assinado neste sábado (17/1), em Assunção, no Paraguai, sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cerimônia marca a conclusão de um processo iniciado há mais de 25 anos e considerado um dos mais longos e complexos da história recente do comércio internacional.

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O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de consumidores, e prevê a redução gradual de tarifas sobre bens e serviços negociados entre os dois blocos. A expectativa é de que aproximadamente 90% do comércio bilateral tenha as tarifas eliminadas ao longo de um período de transição, que pode chegar a até 15 anos para alguns setores mais sensíveis.

Apesar de não comparecer ao evento, Lula foi um dos principais articuladores políticos para destravar o acordo nos últimos anos, especialmente ao assumir compromissos ambientais que ajudaram a reduzir resistências internas na União Europeia. O presidente brasileiro chegou a defender publicamente a assinatura ainda durante a presidência espanhola do Conselho da UE, em 2023, mas divergências sobre o local e o formato da cerimônia acabaram adiando o anúncio formal.

A cerimônia de assinatura acontecerá a partir das 12h15 (horário de Brasília), no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio, mesmo local onde, em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, considerado o primeiro passo para a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), hoje composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

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O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O evento contará com a presença de representantes dos países-membros, a exemplo dos presidentes Javier Milei (Argentina); Rodrigo Paz (Bolívia); Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai), bem como da cúpula europeia, como Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.

Por questões de agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não viajará ao Paraguai. Nesta sexta-feira (16/1), no entanto, Lula recebeu Ursula e Costa no Rio de Janeiro, onde discutiram a implementação do acordo comercial e outros temas da agenda internacional.

Além da ampliação do comércio, o acordo inclui capítulos sobre compras governamentais, propriedade intelectual, regras sanitárias e fitossanitárias, além de compromissos relacionados ao desenvolvimento sustentável e à preservação ambiental, pontos que foram decisivos nas negociações finais.

Apesar da assinatura, o tratado ainda não entra em vigor. O texto precisará ser analisado e ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul, um processo que pode levar anos e enfrentar resistências, especialmente de setores agrícolas europeus e de indústrias sul-americanas mais expostas à concorrência externa.

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postado em 17/01/2026 12:29
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