
A delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, presa na manhã de sexta-feira (16/1), admitiu em depoimento que “deu bobeira” ao manter relações pessoais e profissionais que hoje são investigadas como parte de um suposto esquema de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A declaração foi dada após a prisão temporária decretada no âmbito da Operação Serpens, deflagrada pelo Ministério Público. A informação é do jornal O Estado de S.Paulo.
Layla havia tomado posse como delegada da Polícia Civil de São Paulo em 19 de dezembro de 2025 e ainda estava em estágio probatório quando foi presa, menos de um mês depois. Segundo as investigações, mesmo após assumir o cargo, ela teria continuado a atuar como advogada criminalista, inclusive em audiências de custódia em Marabá (PA), em 28 de dezembro, nove dias após a posse, para defender um integrante do PCC preso por tráfico e associação criminosa, o que é proibido para integrantes da carreira policial.
De acordo com o Ministério Público, a delegada mantinha um relacionamento amoroso com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, apontado como integrante do núcleo do PCC no Norte do país e que também foi preso na operação. Ele teria, inclusive, acompanhado Layla na cerimônia oficial de posse, realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
As apurações indicam ainda que o casal é investigado por possível participação em esquema de lavagem de dinheiro, envolvendo a aquisição de uma padaria na zona leste da capital paulista. Para os promotores, há indícios de que o estabelecimento teria sido usado para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
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Em depoimento, a delegada afirmou que não integrava a facção criminosa, mas reconheceu que não agiu sozinha e cometeu erros ao manter relações que hoje levantam suspeitas. Segundo a PC-SP, a frase “dei bobeira” é interpretada pelos investigadores como uma tentativa de minimizar a gravidade das condutas apontadas pela acusação.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo e no Pará. Layla pode responder por crimes como organização criminosa, lavagem de capitais e infrações administrativas relacionadas ao exercício ilegal da advocacia após a posse.

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