
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou, ontem, o processo de restituição aos clientes do Banco Master, liquidado, em novembro de 2025, pelo Banco Central. Na noite de ontem, o Fundo informou que estão sendo processados 11,8 mil pedidos por hora, o que corresponde a três solicitações por segundo.
Das 800 mil pessoas com valores a receber do Master e das subsidiárias liquidadas extrajudicialmente — Master de Investimento e Letsbank —, 600 mil registraram os pedidos para a devolução no aplicativo até o início da noite de ontem. Desse total, aproximadamente 400 mil credores finalizaram todas as etapas do processo e estão aptas para receberem os pagamentos das garantias.
A medida envolve correntistas e investidores que mantinham recursos aplicados em produtos do Master, como caderneta de poupança, Certificado de Depósito Interbancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito Agrícola (LCA).
"Por conta dos requerimentos de segurança e processos de prevenção a fraudes a validação de identidade alguns credores e a liberação de pagamentos podem passar por camadas extras de verificação, o que pode fazer com o que o processo leve mais tempo para ser concluído. Após a confirmação do pagamento, os credores recebem uma cópia do documento assinado, e o processo pode ser consultado, a qualquer momento, no aplicativo", explicou do FGC.
Os documentos aceitos para a validação da identidade precisam ter foto e CPF. "Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão", destacou a instituição.
A consolidação e a conferência da lista de credores foram realizadas pelo BC, responsável por validar quem tem direito à garantia. "Identificamos pedidos de pessoas que tentam realizar a validação da biometria utilizando um documento sem CPF, o que tem gerado recusas na avaliação da identidade. Importante seguir as orientações que constam no site e no aplicativo do FGC", informou o Fundo.
O início dos pagamentos ocorre após dois meses do fechamento do Master, o maior intervalo entre a decretação da liquidação e o ressarcimento desde 2013, quando clientes do Banco Rural aguardaram três meses e seis dias para receber os valores garantidos. Segundo o Fundo, essa demora no caso do Master está relacionada às ações judiciais envolvendo a instituição, o que exigiu cautela adicional na verificação dos credores antes da liberação dos pagamentos.
O aplicativo do FGC travou no último sábado(17), primeiro dia da abertura para os pedidos de ressarcimento dos investidores pessoas físicas com recursos aplicados no Master devido ao excesso no volume de acessos ao aplicativo.
Garantias cumpridas
Na avaliação de Roberto Panucci, advogado especialista em direito bancário e sócio do Panucci, Severo e Nébias Advogados, o início dos pagamentos aos clientes do Master, do ponto de vista estritamente formal, revela que a garantia cumpriu sua função. "Os valores cobertos estão sendo restituídos, preservando o principal investido. No entanto, essa constatação é insuficiente para avaliar o impacto econômico real do episódio", afirmou.
"Entre a liquidação de uma instituição financeira e o efetivo pagamento pelo FGC existe, inevitavelmente, um intervalo de tempo durante o qual os recursos permanecem indisponíveis. Nesse período, o investidor não tem liquidez e não é remunerado. Assim, os CDBs a 130%, 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) terão, no fim, uma taxa muito menor — que talvez não tenha sido adequada ao risco assumido", acrescentou o especialista.
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Pessoas físicas devem solicitar o ressarcimento pelo aplicativo do FGC, disponível para os sistemas Android e iOS. Já as pessoas jurídicas precisam fazer o pedido por meio do Portal do Investidor. O limite de cobertura do fundo é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, valor que inclui o principal investido e os rendimentos acumulados até a data da liquidação.
O FGC alertou ainda que não autoriza e credencia nenhum tipo de instituição ou empresa para intermediar negociação para o recebimento do valor garantido, e também não solicita o pagamento de qualquer taxa ou o depósito prévio de valores.
*Estagiário sob a supervisão de Rosana Hessel
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