A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia neste sábado (17/1) foi recebida de forma majoritariamente positiva pelo setor produtivo brasileiro, que vê no tratado um marco para a ampliação de mercados, aumento da competitividade e atração de investimentos. Entidades industriais e representantes de cadeias específicas destacam, contudo, que os ganhos dependerão de uma implementação cuidadosa e de mecanismos de transição capazes de preservar a indústria nacional.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, com a entrada em vigor do acordo, a cobertura dos tratados preferenciais do Brasil saltaria de 8% para 36% das importações mundiais de bens, considerando o peso da União Europeia no comércio global. Para a entidade, a formalização do pacto representa uma inflexão estratégica ao ampliar de forma significativa o acesso da indústria brasileira a um dos maiores mercados do mundo.
Segundo a CNI, mais de 54% dos produtos negociados terão imposto zerado na União Europeia logo no início da vigência, enquanto o Brasil contará com prazos mais longos — entre 10 e 15 anos — para reduzir tarifas de cerca de 44% dos itens importados do bloco europeu. O desenho assimétrico garante, em média, oito anos adicionais de adaptação à indústria brasileira em relação aos prazos concedidos aos europeus.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, avalia que o momento é especialmente favorável. “O acordo é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas. Ele garante acesso imediato ao mercado europeu, assegura tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o Brasil em um contexto de diversificação de parceiros”, afirmou. Dados da entidade indicam que 82,7% das exportações brasileiras para a UE passarão a entrar no bloco sem tarifa desde o início da vigência.
Além da liberalização do comércio de bens, o acordo amplia a integração em serviços e reforça a segurança jurídica dos investimentos bilaterais. O estoque de investimento direto da União Europeia no Brasil atingiu US$ 290 bilhões em 2024, consolidando o bloco como o principal investidor estrangeiro no país. Em 2025, as trocas comerciais entre Brasil e UE alcançaram cerca de US$ 100 bilhões, com perfil qualificado e forte presença de bens industrializados.
O intercâmbio é considerado estratégico pelo setor produtivo porque 47% das exportações brasileiras ao bloco são de produtos industrializados, que geram mais emprego e renda. Além disso, 64% das exportações e 57% das importações correspondem a insumos industriais, fundamentais para cadeias produtivas dos dois lados do Atlântico, especialmente em um cenário de estresse nas cadeias globais de suprimentos.
Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), a assinatura do acordo representa avanço relevante, mas exige cautela. “A assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul amplia o acesso a um mercado relevante para o Brasil e para Minas Gerais. No entanto, é fundamental avaliar com atenção os impactos sobre a competitividade da indústria, especialmente nos setores mais sensíveis”, afirmou o presidente da entidade, Flávio Roscoe.
No agronegócio, segmentos específicos também projetam ganhos. A indústria do tabaco avalia que a redução gradual das tarifas europeias tende a corrigir uma assimetria histórica frente a concorrentes africanos. “Atualmente, os principais concorrentes do Brasil nas exportações de tabaco são países africanos que já se beneficiam de isenções tarifárias no acesso ao mercado europeu”, afirmou o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, ao ressaltar que os efeitos serão graduais.
Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o acordo inaugura uma nova fase de pragmatismo comercial. “O processo de 25 anos com a União Europeia não pode ser a regra. O evento de hoje deve servir de aprendizado para que os entendimentos bilaterais futuros do Brasil acompanhem a velocidade das transformações globais”, defendeu o presidente da entidade, Paulo Skaf, ao cobrar uma diplomacia empresarial mais ativa.
A Fiesp informou que atuará pela rápida ratificação do acordo no Congresso Nacional, mas alerta que o País precisa avançar na agenda de competitividade. “Sem a superação dos entraves do Custo Brasil e uma postura ativa do governo contra barreiras não tarifárias, as vantagens teóricas do tratado correm o risco de não se traduzirem em benefícios concretos”, afirmou Skaf.
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