Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano na reunião encerrada nesta quarta-feira (28/1), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou novamente preocupação com a manutenção da taxa básica de juros atual. Na visão da entidade, a cautela, defendida pelo BC, “ignora” a trajetória de queda da inflação e os danos que a Selic a 15% causam à população.
“O Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há muito tempo. Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia, aprofundando a desaceleração do crescimento. É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião”, defende o presidente da CNI, Ricardo Alban.
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Uma projeção feita pela própria entidade destaca que, no patamar atual, a taxa de juros real – que desconta a inflação corrente e está em 10,5% – está 5,5% acima da chamada taxa de juros neutra, que não estimula nem desestimula o crescimento econômico. Diante disso, a CNI acredita que a Selic deveria estar próxima de 10,3% ao ano, ao considerar a inflação acumulada dos últimos 12 meses.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, a manutenção da taxa atual tende a prolongar os efeitos adversos na economia, com restrição a investimentos, custo de crédito e produção mais elevados, além da perda da competitividade da indústria brasileira.
“É necessário uma política monetária mais equilibrada, que consiga conciliar o controle da inflação com o estímulo ao desenvolvimento econômico e ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional”, comenta Roscoe.
