
O Banco de Brasília (BRB) precisa enviar nesta sexta-feira (6) ao Banco Central (BC) um plano de ações voltado ao reforço de sua estrutura patrimonial, após as operações realizadas com o Banco Master. A proposta deve prever uma recomposição mínima de R$ 5 bilhões, a ser detalhada no documento e, se aprovada, executada em até seis meses.
A exigência tem como objetivo preservar a solidez financeira do banco e manter a confiança do mercado, estando diretamente ligada às operações realizadas entre 2024 e 2025, quando cerca de R$ 12 bilhões foram direcionados à aquisição de carteiras de crédito consideradas de baixa qualidade e sem garantias financeiras adequadas, compradas da instituição então controlada por Daniel Vorcaro.
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A intervenção do Banco Central ocorreu após a constatação de que os mesmos ativos haviam sido comprados pelo Banco Master de outra instituição por menos da metade do valor posteriormente pago pelo banco brasiliense. As apurações também indicaram que o Master sequer concluiu a quitação da compra original dessas carteiras, embora tenha recebido os recursos à vista na revenda ao BRB. Essas inconsistências são apontadas como responsáveis pelo enfraquecimento do balanço patrimonial do banco público.
Técnicos ouvidos pelo Correio afirmam que não há risco de falência ou de liquidação do BRB. Segundo eles, esse cenário é afastado principalmente porque o banco tem como acionista controlador o governo do Distrito Federal, que dispõe de capacidade patrimonial para sustentar a instituição, se necessário.
O GDF detém 71,92% do capital do BRB, e autoridades locais destacam que o DF possui um patrimônio imobiliário estimado em mais de R$ 200 bilhões, o que garantiria margem para eventual aporte e a continuidade das operações do banco.
Mesmo com essa salvaguarda, o reforço de capital é considerado indispensável para que o BRB mantenha os níveis de solidez e segurança exigidos pelo sistema financeiro nacional, funcionando tanto como uma medida preventiva quanto como forma de assegurar o cumprimento permanente das regras legais de solvência que regem o setor bancário.
Venda de ativos
Nesta semana, o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, esteve em São Paulo para negociar a venda de ativos adquiridos do Banco Master. O executivo foi à Faria Lima para reuniões presenciais com investidores interessados. As negociações envolvem carteiras e fundos avaliados em aproximadamente R$ 21,9 bilhões.
Paralelamente às tratativas de venda, o BRB atua em outras frentes para reforçar o caixa e recompor sua estrutura financeira. Entre as alternativas em análise está a criação de um fundo lastreado em imóveis do governo do Distrito Federal, que poderia ser transferido ao banco ou utilizado como garantia para a obtenção de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Liquidação
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, após a constatação de uma grave crise de liquidez, caracterizada pela incapacidade de honrar compromissos com clientes e investidores. Ao longo de 2025, o BRB chegou a negociar a aquisição de uma participação relevante na instituição, em uma operação que contou com apoio público do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, mas que acabou barrada pela autoridade monetária.
Entre 2024 e 2025, o BRB transferiu R$ 16,7 bilhões ao Banco Master. Essas operações passaram a ser alvo de investigação do Ministério Público, que apura indícios de gestão fraudulenta. Segundo as apurações, aproximadamente R$ 12 bilhões teriam sido direcionados à aquisição de carteiras de crédito consideradas problemáticas, que não pertenciam formalmente ao Master e não contavam com garantias financeiras adequadas.

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