Caso Master

BRB tem 180 dias para implementar plano de recapitalização

Dirigentes do banco público deixaram a reunião otimistas com a reação do BC ao documento, que prevê ações preventivas de recomposição de capital, entre as quais está a venda de carteiras do Master, liquidado em novembro do ano passado

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, entregou ontem ao Banco Central (BC) o Plano de Capital da instituição, elaborado após as operações realizadas com o Banco Master, alvo de investigações sobre supostas irregularidades bilionárias envolvendo empréstimos consignados e outras operações financeiras. 

Segundo o BRB, o Plano de Capital apresentado à autoridade monetária reúne um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital, a serem implementadas ao longo dos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro. Em nota, o banco ressaltou que eventuais valores só poderão ser definidos após a conclusão das investigações em andamento. O documento foi entregue ao diretor de Regulação, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, e ao secretário-executivo do Banco Central, Rogério Antônio Lucca.

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Após a reunião, Nelson de Souza conversou com o Correio. Ele ressaltou que a reunião foi "muito boa e pragmática". De acordo com o presidente do BRB, entre as alternativas previstas no plano estão empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e empréstimos com consórcios de bancos. "Se precisar colocar o capital, o controlador do banco, que é o Governo do Distrito Federal, pode tomar empréstimo", afirmou, ressaltando que o plano é uma estratégia de provisão.

Souza contou que a diretoria realizou três apresentações: Uma contendo o plano de atividades; outra com o plano de capital e a tereceria mostrando  "propostas firmes" de três bancos nacionais e um internacional, com interesse nos ativos.

Além dos empréstimos com FGC e consórcio de bancos, foram colocados na mesa também a possibilidade de estruturação de Fundos de Investimentos Imobiliários (FII) com ativos imobiliários do GDF e solução de mercado, que consiste na venda de carteiras do Master.  As medidas ainda dependem de aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

De acordo com fontes presentes na reunião no Banco Central, a apresentação do Plano de Capital foi recebida de forma positiva tanto pela autoridade monetária quanto por agentes do mercado financeiro. Segundo esses relatos, há uma expectativa positiva entre grandes players do sistema financeiro de que a atual gestão do BRB conseguiu estancar o processo de perda de credibilidade vivido pelo banco e recolocá-lo em rota de recuperação.

Fontes ouvidas pelo Correio afirmaram ainda que o próprio Banco Central demonstrou confiança no cumprimento das metas apresentadas e no direcionamento adotado pela nova diretoria, avaliando que o banco passou a operar dentro de parâmetros considerados mais consistentes do ponto de vista prudencial. Ainda segundo essas fontes, alguns bancos e instituições financeiras já manifestaram oficialmente interesse em analisar os ativos adquiridos do Banco Master, sendo que parte deles estaria disposta, inclusive, a apresentar propostas concretas de compra.

Outro ponto importante adotado pelo BRB é a revisão ampla de contratos, a redução de gastos administrativos e um pente-fino em despesas com patrocínios e publicidade, firmados a partir deste ano. A orientação interna, segundo interlocutores, é priorizar investimentos com vínculo direto com Brasília e o Distrito Federal, preservando projetos considerados estratégicos para a imagem institucional do banco, como os patrocínios esportivos de atletas e times do Distrito Federal. "O BRB só deve manter os patrocínios que estejam ligados diretamente ao Distrito Federal", afirmou o interlocutor.

A exigência do plano está relacionada às operações realizadas entre 2024 e 2025, período em que o BRB transferiu aproximadamente R$ 16,7 bilhões ao Banco Master. Parte significativa desse montante, cerca de R$ 12 bilhões, teria sido destinada à aquisição de carteiras de crédito consideradas de baixa qualidade e sem garantias financeiras adequadas.

Investigação

Apurações conduzidas pelo Banco Central indicaram que esses mesmos ativos haviam sido adquiridos anteriormente pelo Banco Master de outra instituição por menos da metade do valor posteriormente pago pelo banco brasiliense. Além disso, foi constatado que a compra original dessas carteiras não teria sido integralmente quitada, embora o Master tenha recebido os recursos à vista na revenda ao BRB.

Essas inconsistências contribuíram para o enfraquecimento do balanço patrimonial do banco público e motivaram a atuação mais rigorosa do órgão regulador. O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central em novembro, após a constatação de uma grave crise de liquidez e da incapacidade de honrar compromissos com clientes e investidores.

Antes da reunião no Banco Central, Nelson Antônio de Souza explicou ao Correio que o plano entregue à autoridade monetária tem caráter preventivo e visa assegurar previsibilidade ao mercado. "É um plano de provisão. O plano dá solidez ao banco junto ao mercado. Mas, se conseguirmos vender os ativos adquiridos do Banco Master, não precisaremos do aporte", explicou.

Nelson disse que já existem negociações em andamento para a venda dos ativos. "Já temos algumas propostas na mesa", afirmou. Segundo ele, a mobilização da atual gestão tem surtido efeito. "Todo o mercado financeiro tem trabalhado com o banco", garantiu.

De acordo com pessoas que acompanharam a reunião no Banco Central, a apresentação do Plano de Capital foi recebida de forma positiva tanto pela autoridade monetária quanto por agentes do mercado financeiro. Segundo esses relatos, há uma percepção disseminada entre grandes players do sistema financeiro de que a atual gestão do BRB conseguiu estancar o processo de perda de credibilidade vivido pelo banco e recolocá-lo em rota de recuperação. 

Fontes ouvidas em caráter reservado afirmam que o próprio Banco Central demonstrou confiança no cumprimento das metas apresentadas e no direcionamento adotado pela nova diretoria, avaliando que o banco passou a operar dentro de parâmetros considerados mais consistentes do ponto de vista prudencial.

Ainda segundo essas fontes, alguns bancos e instituições financeiras já manifestaram oficialmente interesse em analisar os ativos adquiridos do Banco Master, sendo que parte deles estaria disposta, inclusive, a apresentar propostas concretas de compra. 

Esse movimento, aliado às medidas de austeridade determinadas pela presidência do BRB — como a revisão ampla de contratos, a redução de gastos administrativos e um pente-fino em despesas com patrocínios e publicidade — tem contribuído para a retomada gradual da confiança do mercado. A orientação interna, relatam interlocutores, é priorizar investimentos com vínculo direto com Brasília e o Distrito Federal, preservando projetos considerados estratégicos para a imagem institucional do banco, enquanto despesas sem retorno claro passam por reavaliação.

O GDF detém 71,92% do capital do BRB e tem destacado que o Distrito Federal possui um patrimônio imobiliário estimado em mais de R$ 200 bilhões, o que garantiria margem para eventuais operações de apoio financeiro, caso sejam necessárias.

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