Consumo

Consórcio ganha força na compra de motos; mais de 50% optam por modelos 0km

Pesquisa mostra que mais da metade dos consumidores que buscaram crédito para motos no último trimestre optou por modelos saídos da concessionária

A motocicleta se consolida cada vez mais como alternativa de mobilidade e fonte de renda no Brasil — e o consórcio tem se destacado como caminho viável para viabilizar essa aquisição sem juros. Levantamento do Klubi, fintech autorizada pelo Banco Central (BC) a operar como administradora de consórcios, revela que mais da metade dos consumidores que buscaram crédito para motos no último trimestre optou por modelos 0km.

Entre os quase 80 mil membros ativos da plataforma, 13,9% recorreram ao consórcio para adquirir uma motocicleta no período analisado. Desses, 53,3% escolheram motos novas, enquanto 46,7% optaram por seminovas, que seguem competitivas diante dos modelos recém-saídos da concessionária.

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Segundo a especialista do Klubi Ariane Scacalossi, com mais de 15 anos de experiência no setor, a escolha reflete uma combinação entre planejamento financeiro e estratégia de geração de renda. “Muitos membros estão utilizando o consórcio não apenas para realizar o sonho da moto própria, mas como investimento em um meio de trabalho. As parcelas acessíveis e a ausência de juros permitem organizar o orçamento de forma sustentável”, afirma.

Preferência

Apesar da predominância das motos 0km, o mercado de usadas mantém peso relevante. A possibilidade de adquirir veículos em bom estado, com menor depreciação e custo total reduzido, atrai especialmente quem utiliza a motocicleta como ferramenta profissional. O consórcio, ao diluir o pagamento em parcelas fixas e sem juros, amplia o acesso a marcas consolidadas e modelos de manutenção previsível — fator decisivo para entregadores e motoboys, que dependem da moto para gerar renda diária.

O levantamento aponta que os modelos mais procurados são justamente os mais presentes nas ruas e aplicativos de entrega: Honda CG, Bros, Biz e CB, além das motos street de baixa cilindrada, entre 125cc e 160cc. A escolha está associada a três fatores principais: economia de combustível, manutenção acessível e praticidade no dia a dia.

Dados da Fenabrave indicam que a demanda por motocicletas de até 160cc vem crescendo nos últimos anos, impulsionada sobretudo pelo trabalho em aplicativos de delivery. Em muitos casos, o preço de uma moto nova já ultrapassa R$ 12 mil — valor significativo frente à renda média dos entregadores, que varia entre R$ 2.500 e R$ 3.500 mensais.

São Paulo lidera aquisições

O Sudeste concentra a maior parte das compras via consórcio, com destaque para São Paulo, responsável por 26,6% dos membros que adquiriram motocicletas. O dado acompanha a força do mercado regional de entregas. Segundo o SindimotoSP, o estado reúne cerca de 650 mil motoboys, sendo aproximadamente 320 mil apenas na capital.

Na sequência aparecem Minas Gerais (9,9%) e Rio de Janeiro (9,6%), completando o ranking dos três estados com maior volume de aquisições.

O crescimento da procura por motos por meio do consórcio acompanha mudanças estruturais no mercado de trabalho. A expansão da economia de aplicativos, aliada ao encarecimento do transporte individual e ao crédito mais restritivo, tem levado consumidores a buscar alternativas que garantam mobilidade e geração de renda.

Para Ariane Scacalossi, o cenário favorece a consolidação da modalidade. “O consórcio é hoje uma das formas mais democráticas de adquirir uma moto. Em um contexto de juros elevados e maior cautela financeira, ele combina planejamento, previsibilidade e acesso ao bem”, conclui.

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