Caso Master

Master criou modelo inédito de fraude ao inflar ativos de fundos, diz CVM

Em depoimento na CAE, presidente interino afirma que banco foi "promotor ativo" do superdimensionamento para parecer solvente e admite necessidade de ajustes regulatórios

Em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira (24/2), o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, afirmou que o Banco Master agiu intencionalmente para inflar o valor de ativos de fundos nos quais investia.

Accioly classificou o modelo como “inédito” e ressaltou que, ao contrário de fraudes tradicionais, o banco não teria sido vítima, mas agente do próprio esquema.

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Segundo ele, a prática fazia com que a instituição apresentasse um balanço artificialmente mais robusto do que a sua real situação financeira. “Havia um alinhamento perverso de incentivos entre os gestores e os investidores para manter essa ficção contábil. É um ‘engana que eu gosto’”, afirmou aos senadores.

Ele explicou que os valores inflados eram utilizados para reforçar artificialmente a posição patrimonial da instituição e viabilizar a emissão de CDBs. “Assim, parecia solvente, quando não estava”, disse. Na avaliação do dirigente, a prática induziu o mercado a erro e dificultou a atuação dos órgãos de supervisão, inclusive do Banco Central (BC).

O presidente interino acrescentou que o caso escapa ao padrão clássico de fiscalização preventiva por envolver fundos exclusivos, destinados a investidores que, em tese, teriam capacidade própria de monitoramento. Ele defendeu ajustes regulatórios e maior coordenação entre as autoridades financeiras.

Durante a audiência, parlamentares criticaram a atuação preventiva da CVM e relembraram o escândalo contábil da Lojas Americanas. “Estamos diante de uma orgia no mercado financeiro”, afirmou o senador Eduardo Braga (MDB-AM).

Accioly, por sua vez, defendeu o trabalho da autarquia e negou qualquer omissão no caso do Banco Master. Ele afirmou que a operação Compliance Zero só ocorreu após a CVM relatar movimentações suspeitas ao Ministério Público Federal.

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