Comércio Exterior

Lula critica regras ambientais adotadas pela União Europeia e defende livre comércio

Em encontro com Merz, Lula defendeu o produto brasileiro como saída para a descarbonização e questionou a resistência europeia

Antes do Encontro Brasil-Alemanha, Merz visitou, com Lula, o stand brasileiro na Feira de Hanôver, onde entrou em uma Kombi e testou o biocombustível  -  (crédito: Ricardo Stuckert / PR)
Antes do Encontro Brasil-Alemanha, Merz visitou, com Lula, o stand brasileiro na Feira de Hanôver, onde entrou em uma Kombi e testou o biocombustível - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, ontem, que o Brasil reúne condições para assumir protagonismo global na transição energética, ao defender o potencial dos biocombustíveis e criticar regras ambientais adotadas pela União Europeia. Na Alemanha, onde participou da Feira Industrial de Hanôver e do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, Lula propôs uma comparação internacional das emissões de combustíveis usados em veículos pesados, como caminhões.

Segundo o presidente, o Brasil possui vantagens competitivas na produção de energia limpa, especialmente com o uso de etanol e biodiesel. Lula afirmou que a Europa precisa superar o que chamou de "resistência ideológica" aos biocombustíveis brasileiros.

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Para comprovar o que disse, Lula cumpriu o desafio feito em outubro do ano passado, durante a COP30, e levou o Be8 BeVant — um combustível produzido a partir de matérias-primas renováveis como óleo de soja, canola, girassol, gorduras animais e óleos reciclados — para ser testado em um caminhão de fabricação alemã para aferir as emissões de dióxido de carbono (CO2). "A recente alta nos preços do petróleo mostra que está mais do que na hora de a Europa superar sua resistência ideológica aos biocombustíveis. São opções baratas, confiáveis e eficientes para descarbonizar o setor de transporte. O Brasil é capaz de produzir etanol e biodiesel sem comprometer a produção de alimentos e áreas de florestas", completou.

Ele também criticou propostas em discussão no bloco europeu que, segundo ele, desconsideram práticas sustentáveis adotadas no país e podem criar barreiras à entrada de produtos brasileiros.

"A União Europeia está revisando o seu regulamento sobre biocombustíveis. Estão na mesa propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro. Também entrou em vigor em janeiro o mecanismo unilateral de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis", afirmou. Para o presidente, essas iniciativas podem restringir a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em um momento crítico.

Lula argumentou, ainda, que os critérios europeus não levam em conta fatores como a eficiência do etanol de cana-de-açúcar e o uso de fontes renováveis no processo produtivo, o que pode gerar distorções na classificação ambiental dos combustíveis. Na prática, disse, isso pode fazer com que produtos brasileiros, mesmo com menor emissão, sejam considerados menos sustentáveis.

Ao destacar a matriz energética nacional, o presidente afirmou que cerca de 90% da eletricidade brasileira é proveniente de fontes renováveis. "Nós, no Brasil, estamos dispostos a deixar de ser um país em vias de desenvolvimento e queremos nos tornar um país desenvolvido. E não jogaremos fora as oportunidades da transição energética que está colocada para o mundo. Quem quiser produzir com energia mais barata e com energia verdadeiramente limpa, procure o Brasil, que nós temos espaço e oportunidade para quem quiser apostar no futuro", disse.

Livre-comércio

Lula defendeu o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia e pediu maior engajamento do setor privado para viabilizar sua implementação definitiva após décadas de negociação. "Conto com o engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja transformada em vigência permanente. Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na Europa", afirmou.

O presidente também ressaltou a importância da Alemanha como principal parceiro comercial do Brasil na Europa e destacou a presença de mais de 1.200 empresas alemãs em território brasileiro. O país é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo comercial bilateral de US$ 20,9 bilhões no ano passado.

Em sintonia com Lula, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz afirmou que não vê a parceria com o Brasil apenas em termos econômicos, mas também como uma cooperação estratégica na manutenção de um mundo baseado em regras. "Compartilhamos com o Brasil um interesse fundamental em uma ordem política na qual possamos confiar em acordos, possamos contar com tratados, possamos contribuir para a resolução conjunta de problemas globais e, acima de tudo, desejamos resolver conflitos somente por meios pacíficos", disse Merz.

Ele acrescentou que o Brasil tem um grande potencial para ampliar o fornecimento de metais críticos, acrescentando que a Alemanha pode fornecer a tecnologia. 'Há oportunidades significativas na extração econômica de certos metais necessários para a mobilidade eletrônica e turbinas eólicas', disse Merz. "A Alemanha está preparada para apoiar o Brasil com conhecimento tecnológico e experiência, a fim de expandir ainda mais essas relações", acrescentou.

 


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postado em 21/04/2026 04:24
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