O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, ontem, a criação de uma distribuidora de combustíveis estatal, como era a BR Distribuidora, que foi privatizada em 2021. Em evento na Bahia, ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, Lula afirmou que se o governo e a empresa continuarem no "ritmo" atual e se houver "vontade política", o país voltará a ter uma estatal na distribuição de combustíveis líquidos.
"Vocês acham que eu não tenho vontade de comprar uma distribuidora de gasolina? Vocês acham que eu me conformei, algum dia, com a venda da BR? Por que vender a BR? Ao vender a BR, eles tiraram o direito da Petrobras de influir no preço da distribuição. E eu tenho certeza de que, se a gente estiver no ritmo que a gente está e se vocês tiverem vontade política, a gente vai ter uma distribuidora de gasolina outra vez", disse, ao destacar ainda que, embora a nova distribuidora seja da empresa Vibra, a marca nos postos permanecem BR. "A BR era tão importante que os caras que compraram não quiseram tirar o nome da Petrobras. A Petrobras é nossa", declarou.
Não foi a primeira vez que o presidente citou a importância de uma distribudora estatal, lamentando a venda da BR. Ele, assim como o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, vêm defendendo a pauta desde o início do seu governo e, mais intensamente, após a guerra no Oriente Médio, com fechamento do Estreito de Ormus. O governo vem tentando impedir a elevação dos preços dos combustíveis, que seguem pressionados nas bombas. O governo alega que as distribuidoras não repassam os incentivos para as postos.
Ontem, Lula disse que, mesmo com a alta no mercado externo, o governo "assumiu a responsabilidade" de não repassar ao consumidor. "A gente vai continuar trabalhando. Estão vendo a guerra do Irã? A guerra que o (presidente dos Estados Unidos) Trump inventou. Essa guerra está aumentando a gasolina e o óleo diesel no mundo inteiro. Aqui no Brasil nós não vamos deixar aumentar porque (o governo) assumiu a responsabilidade", comentou ele.
Magda Chambriard, por sua vez, afirmou que a estatal busca tornar o país autossuficiente no refino de diesel e gasolina até 2030. Magda pontuou que a "geopolítica mundial mostrou que essa é a melhor alternativa para a nossa empresa, para a nossa nação". O objetivo é que as refinarias operem com fator de utilização superior a 100%. "Estoque é muito caro. O melhor estoque de todos é o estoque da autossuficiência. A gente se comprometeu com o presidente Lula a colocar no planejamento estratégico o compromisso da Petrobras de ser autossuficiente em diesel. E com o diesel vem a gasolina, até o ano de 2030", prometeu ela.
Fertilizantes
Os discursos ocorreram na cerimônia de reabertura da Fábrica de Fertilizantes da Bahia (Fafen-BA), em que o tema da guerra também foi citado, uma vez que o Brasil depende da importação de fertilizantes das regiões em conflito, como Irã. Foram investidos R$ 100 milhões, e a fábrica retomou as atividades em janeiro deste ano. A Fafen-BA tem capacidade de produção de 1.300 toneladas diárias de ureia, aproximadamente 5% da demanda nacional.
Ao defender o incremento da produção nacional de fertilizantes, Lula lembrou citou a relevância do agronegócio para a economia brasileira. "O Brasil é um país agrícola, é um dos maiores produtores de alimento do mundo e não pode importar 90% do fertilizante de que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa produzir os fertilizantes de que a agricultura brasileira necessita", afirmou o presidente.
Chambriard citou a reativação da Fafen Sergipe, a reabertura da Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná, e a finalização da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) III, em Mato Grosso do Sul, como outros elementos da estratégia. A projeção é de que a Petrobras passe a representar 35% da produção nacional de fertilizantes nitrogenados.
"Esse é um esforço da Petrobras em prol do Brasil, da segurança alimentar e geração de emprego e renda no nosso país. Um dos destinos nobres do gás é o fertilizante. Então, se eu quero vender gás, uma possibilidade boa é produzir fertilizante, porque, afinal de contas, esse gás é insumo primeiro para a produção de fertilizante", destacou ela.
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