*Fortaleza (CE) — O governo federal prevê lançar, nas próximas duas semanas, um programa nacional voltado à formação de pesquisadores em Inteligência Artificial (IA). A iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) prevê a criação de uma rede de formação de mestres, doutores e pós-doutores em universidades das cinco regiões do país, com foco na ampliação da autonomia tecnológica brasileira.
O programa surge em um momento de expansão global da IA e de aumento da disputa internacional por infraestrutura computacional, dados e mão de obra qualificada. Durante a inauguração do espaço, representantes do governo federal, estadual e do setor de inovação defenderam a necessidade de o país investir na formação de pesquisadores e reduzir a dependência tecnológica externa.
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A proposta terá como protótipo o projeto do Instituto Atlântico, que conta com um laboratório inaugurado nesta quarta-feira (14/4), em Fortaleza — batizado de Alia (Laboratório de Inteligência Artificial do Atlântico). A iniciativa ofertará 50 bolsas para pesquisadores de universidades nordestinas.
"O laboratório é para isso: formar boas pessoas, formar profissionais qualificados para que a gente consiga avançar e que, no fim, o Brasil possa fazer aquilo que é capaz de fazer em muitas áreas: exportar inteligência e tecnologia", afirmou Hugo Valadares, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital do MCTI. Segundo ele, o objetivo do programa é transformar o potencial técnico já existente nas universidades brasileiras em iniciativas de maior escala.
Valadares também afirmou que o país não pretende ocupar uma posição subordinada no desenvolvimento tecnológico global. "Nós não vamos ser colônia, sobretudo colônia digital. Querem colaborar, querem desenvolver em conjunto? Somos parceiros. Mas não achem que o objetivo do Brasil é continuar comprando tecnologia dependente", reforçou.
O laboratório cearense recebeu R$ 13,8 milhões em investimentos captados por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Desse montante, R$ 4 milhões serão destinados exclusivamente às bolsas de pesquisa, segundo Luiz Alves, diretor de Inovação e Novos Negócios do Instituto Atlântico.
Para ele, a soberania tecnológica depende diretamente da produção de conhecimento. "Soberania é conhecimento. A gente é soberano quando detém conhecimento profundo das coisas. A partir do momento em que você tem conhecimento, ninguém te pega pelo braço; as pessoas vão querer segurar a sua mão", afirmou Alves.
Alves também criticou a dependência internacional em relação ao acesso a GPUs, equipamentos usados no treinamento de modelos de IA. "Se antigamente colonizavam a gente trocando espelho por pau-brasil, agora é: 'toma aqui horas de GPU e me dá o teu conhecimento'. Horas de processamento é o novo espelhinho do colonizador", declarou.
A rede inicial de pesquisadores reúne equipes da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal do Cariri (UFCA), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Segundo o superintendente do Instituto Atlântico, Francisco Moretto, a proposta é ampliar a produção de conhecimento tecnológico no país sem concentrar os investimentos em poucos polos. "Queremos estrategicamente contribuir para que o Brasil seja soberano no conhecimento de tecnologias digitais. Que esse ecossistema se beneficie da capacitação e produção de resultados importantes para o Brasil", afirmou.
A secretária da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará, Sandra Monteiro, destacou os impactos da iniciativa sobre a formação profissional e o mercado de trabalho local. "O Instituto Atlântico tem sido um dos ambientes de inovação que mais agrega pessoas, desde a formação técnica até a pós-graduação. Isso é um reflexo direto na educação e capacitação de pessoas que vão atuar no mercado dentro do Ceará", disse.
Presente no evento, o deputado federal Inácio Arruda (PCdoB) comparou o desafio brasileiro ao investimento feito por países asiáticos em educação de alta qualidade e inovação tecnológica. "Os vietnamitas apostaram na formação de alta qualidade, criaram as condições e as competências. Nós temos condições e respondemos aos desafios", afirmou o parlamentar.
Supercomputador e “IA Verde”
O Alia reúne uma das maiores estruturas computacionais voltadas à IA no Nordeste. O laboratório possui um supercomputador equipado com 15 GPUs, com capacidade para treinar modelos de inteligência artificial de até 1 trilhão de parâmetros.
O espaço também conta com robôs humanoides, braços robóticos, drones e esteiras inteligentes voltadas à simulação de processos industriais e energéticos. Entre as áreas de pesquisa está a chamada “IA Verde”, focada no desenvolvimento de algoritmos que demandem menor consumo de energia e recursos hídricos.
*A repórter viajou a convite do Instituto Atlântico
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