
O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal-DF) afirmou que a PEC 65/2023 pode colocar em risco uma das principais características do Pix, a gratuidade para a população. Em nota divulgada nesta terça-feira (2/6), a entidade argumenta que pressões internacionais sobre o sistema de pagamentos instantâneos reforçam a necessidade de manter o BC como uma autarquia pública forte e protegida de interferências externas.
O posicionamento ocorre em meio às recentes investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avalia a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob a alegação de suposto favorecimento ao Pix. Para o sindicato, a iniciativa evidencia a vulnerabilidade de infraestruturas estratégicas nacionais diante de pressões externas.
Segundo o Sinal-DF, uma eventual fragilização institucional do Banco Central poderia abrir espaço para mudanças no modelo atual do Pix, incluindo a cobrança de tarifas aos usuários. “Acordos técnicos ou condicionalidades impostas por organismos internacionais poderiam abrir caminho para que o sistema passasse a cobrar tarifas ou fosse terceirizado a consórcios privados, inviabilizando o uso pela população de baixa renda”, afirma a entidade.
Emenda constitucional
O sindicato critica ainda a proposta de incluir o Pix na Constituição como forma de garantir sua permanência. Na avaliação da categoria, a medida preservaria apenas a existência formal do sistema, sem assegurar a manutenção de características como gratuidade, gestão pública e acessibilidade.
“A inclusão no texto constitucional pode assegurar a existência formal do sistema, mas não impede juridicamente que suas características fundamentais sejam alteradas diante de pressões externas”, diz a nota.
Para o Sinal-DF, a soberania do Pix está diretamente ligada à estrutura institucional do Banco Central. A entidade argumenta que a PEC 65/2023 enfraquece essa proteção ao alterar a natureza jurídica da autoridade monetária e ampliar riscos de captura regulatória.
Em meio ao aumento das disputas geopolíticas e ao uso crescente de sanções econômicas por grandes potências, o sindicato defende o fortalecimento do Banco Central e a preservação do caráter público do Pix. “A soberania do Pix decorre diretamente da força institucional de um Banco Central público, autárquico e imune a capturas”, destaca o sindicato.
O Sinal-DF também sustenta que existem alternativas para resolver questões orçamentárias e administrativas da instituição sem recorrer a mudanças constitucionais, como a criação de uma taxa de fiscalização para instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central.

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